Autógrafo

De bom no julgamento de Aristizábal, só mesmo a defesa de Domingos Moro: praticando a fascinante arte de argüir, debater, especular, interpretar e enganar, fez todos de trouxas. Lembrou o histórico e espetacular Dr. José Cadilhe Neto, que chegava ao estágio mais nobre de interpretação, sem enganar. Os auditores do Tribunal de Justiça Desportiva, envolvidos emocionalmente por esta retórica, não só desclassificaram a denúncia de agressão, como pediram autógrafo para Aristizábal.

Não discuto o mérito da decisão. Cada um usou o sagrado direito do julgador em interpretar a lei de acordo com os fatos e as provas. Já tinha escrito, que o tapa que Aristizábal deu no adversário, que depois se tornou sua testemunha fundamental, não é a agressão que a lei manda punir com 120 dias. O que está em questão é o comportamento dos auditores como julgadores. Parecendo envolvidos pelo ambiente, revelando pouco preparo emocional, poderiam ser confundidos com torcedores trazidos às pressas das arquibancadas. E não foi só no julgamento de Aristizábal. De todos os felizes denunciados da noite, que saíram de lá vítimas das “coisas ruins que a imprensa divulga”, como disse um dos auditores, ao justificar o seu voto. Despreparo emocional e despreparo cultural para o cargo.

Há anos o futebol reclamou por um novo código que perseguisse até a exaustão, estes tempos de violência no campo, irresponsabilidade e a falta de ética fora dele. Fundamentalmente, legislou-se um ordenamento jurídico que inibisse os atos contrários a lei, com multas e suspensões espetaculares.

Só que de nada adianta uma nova lei, quando o único critério para se escolher aquele a quem interpretar e a aplicar, é o da conveniência das entidades de administração e dos clubes.

O que se vê, então, são noites de repentes circenses.

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