Chegou o momento deste Atlético fazer uma autocritica. Os dados são eloquentes: de nove pontos, ganhou apenas um. Sofreu sete gols e marcou apenas dois. Já há três rodadas está na zona de queda. Vai para a próxima como lanterna. De repente, cria uma tendência incontrolável.
Desta vez não foi a falta de concentração da goleada para o Palmeiras (4×0). Não foi, tampouco, o apito malandro de um árbitro no empate com o Galo (1×1). Desta vez, para a derrota de um raso Botafogo (2×1) em campo neutro, como é o de Juiz de Fora, não tem desculpa.
E sem desculpas este Atlético é um blefe, à começar pelo esquema tático de Paulo Autuori: sob o pretexto de diminuir o campo adversário e pressioná-lo, avança a marcação, postando a defesa à 40 metros do goleiro Weverton. É uma cola mal feita do ensinamento de Guardiola, porque sem um jogador de sobra, cria a “linha de impedimento”, que o saudoso João Saldanha conceituava como “linha burra”. Foi assim que saiu o primeiro gol, de Ribamar, do Botafogo.
O mal torna-se maior com a falta de proteção. O meio com Hernani e Otávio não marca. Hernani é um peladeiro, que corre sem rumo. Sua presença faz mal a Otávio, porque obriga-o a ser volante de marcação, cassando-lhe o espaço de campo em que é um dos melhores do futebol brasileiro.
Os defeitos táticos seguem com o jogo de passes curtos e pelo meio, e a exceção de Eduardo, é um jogo sem transições. Os passes curtos, sem objetivo, dão a impressão de domínio e de superioridade, mas são traiçoeiros, porque, em regra, não resultam em nada.
E Autuori escala mal. Pablo é bom menino por ser é lutador, mas não acrescenta nada. Com ele tem-se um vazio de 45 minutos em uma das funções mais importantes, que é a meia de transição. Não é coincidência o fato que o time melhora quando entra Vinicius. E tem mais: na carência individual do grupo, nenhuma opção tática autoriza a ignorar Walter, esmagando-o na reserva.
E no final entram os dirigentes: a notória e confessada incapacidade de todos fez com que as contratações não tivessem critérios. O resultado é que a base do time deste ano é a de 2015, com veia de perdedora. E tratando a torcida como ingênua, traz um zagueiro da Ferroviária e um meia do Madureira.