No futebol, às vezes, cumprir a obrigação não é o bastante.

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Egoístas, nós sempre exigimos e queremos mais.

O Atlético ganhou do Santa Cruz por 2×0, na Baixada, e vai seguir em frente na Copa do Brasil. Ganhou sem traumas, quando e como quis. E por isso, é que ficou a sensação que os números poderiam ter sido mais expressivos.

E sentimento do “poderia ser de mais” precisa ser temperado. Nós, na execução de nossas tarefas, somos mais ou menos contínuos no esforço de acordo com as dificuldades que surgem. É um autocontrole que nos domina, colocando-se em supremacia à nossa vontade imediata. Com o jogador de futebol não é diferente.

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Concordo que o Furacão poderia ter goleado o Santa Cruz. E não o fez porque a sua superioridade era tanta, que o seu autocontrole foi acionado. Isso a psicologia ensina como uma virtude.

Marcou com Nikão (1×0) no primeiro tempo, e depois com Lucho (2×0) no segundo. Os gols saíram como consequência natural da superioridade, e o resultado final (2×0), construído sem nenhum trauma.

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Se a vitória já estava na conta da lógica, submeteu-se em importância à evolução da ordem de jogo. Bastou um treinador racional para o Furacão começar a ser um time. O que já tinha sido agradável contra o Flamengo, alcançou o estágio de bom contra o Santa Cruz. Deixou o jogo raso, aprofundando o meio à frente, resultando em um sistema ofensivo que cria jogadas de gols como rotina.

Se não fez mais contra o Flamengo, ou não goleou o Santa Cruz, foi porque Grafite não tem força para concluir, Douglas Coutinho não consegue correr e pensar ao mesmo tempo, e Eduardo da Silva é imprevisível. Se o Furacão tivesse um atacante de qualidade, já seria um time por inteiro.

Mas, ainda, há buracos.

O lance que o Santa Cruz acertou a trave, mostrou que a marcação do meio e a proteção à defesa, com Otávio, Rossetto e Lucho González, escancara o gol de Weverton. Assim, contra um bom ataque, vai sofrer gols.

Vai jogo vem jogo, de repente vai ano e vem ano, Nikão é o melhor.