Nunca imaginei que iria viver num apartheid social. A reclusão provoca os mais diferentes sentimentos que, às vezes, nos surpreende até nos motivos dos sonhos. E, eu, que pensava que não existia nada pior do que a solidão.

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Não sei como explicar, mas sonhei ontem que tinha voltado à Vila Capanema para ver o Paraná jogar. Consciente do inusitado, quis interrompê-lo. Mas, aí, surgiu o Paraná para o qual o sonho tinha me levado. Eu tinha voltado à Vila para ver o Paraná de Saulo, o “Tigre”.

Saulo foi um atacante completo. Embora jogasse com a 9, tinha tantos atributos, que não podia se imprimir a ele a condição centroavante, cujo conceito era limitado ao “trombador”.

Era sereno, para criar o juízo do jogo ao seu redor. Era inteligente, para dar uma pausa na condução da bola em velocidade, quando o jogo exigia. Quando puxava essas virtudes para dentro da área, Saulo era absolutamente perfeito. Simplesmente, marcava gols.

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Quando Saulo apareceu, quis acordar logo, porque o nosso poeta maior Paulo Leminski, atleticano dos grandes se intrometeu. E eu já tinha aprendido com um seu poema: “acordei e me olhei no espelho, ainda a tempo de ver meu sonho virar pesadelo”.

Então, apressei o sonho, e esperei pelo último gol de Saulo, que não demorou chegar.

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Conflito de memórias

Na segunda feira, ao narrar o meu testemunho do Atletiba da Páscoa de 1995 (Coxa 5 a 1), disse que “vi na saída da social do Couto, um senhor esquisito pelos tamanhos e gestos, de nome Mário Celso Petraglia, aos gritos no telefone”.

Leio, agora, a matéria do excelente jornalista Fernando Rudnick, da Gazeta do Povo, que Petraglia lembrou que saiu no intervalo do jogo e foi jogar no bingo.

Não sei qual das memórias está falhando: a minha ou de Petraglia? Se precisar jurar, eu juro: no túnel de saída pelo lado direito das sociais, vi Petraglia esbravejando ao telefone. Talvez, ele tenha até saído no intervalo e voltado depois.

Fico confortado que, antes da praga chegar, andei fazendo uns exames de rotina, e o meu médico geriatra doutor Carlos Sperandio Júnior ficou impressionado com a minha memória.

Sem referência

O presente que o grupo Globo está nos dando é inesgotável. Depois de reprisar os jogos do Brasil da Copa do Mundo de 1982, agora, reprisa o Brasil tricampeão, em 1970, no México.

Por ordem, com Pelé, Gerson, Tostão, Carlos Alberto Torres, Rivelino e Clodoaldo, era um time de imortais. Imortal é uma espécie de Deus, estando acima de todos. Não serve como referência.