Em regra, o jornalismo esportivo trabalha com um grande equívoco: analisa os acontecimentos presentes, não se importando com estudos futuros.

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Mas, em especial no Brasil, há um elemento que deveria ser ponderado: nós jornalistas devemos praticar “mea culpa”, por sermos também responsáveis pelo estado atual de indigência da maioria dos clubes. 

A crônica, através dos anos e talvez por influência da paixão por um clube (foi o meu caso), sempre protegeu e incentivou a cultura de resistência da arquibancada, para tornar invulneráveis os valores tradicionais.

Em nenhum momento, mostrou a preocupação em estudar qual era o tempo de vida dos clubes associativos. Fazia o óbvio e esquecia o relevante, como já ensinava o imortal jornalista Márcio Moreira Alves, ao tratar da imprensa em geral, no Brasil. 

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Embora, há tempo, o Athletico já estivesse sendo preparado por Mário Celso Petraglia, foi preciso que os banqueiros Salles, tornassem público, que o seu Botafogo estava tomando o caminho do fim, para Brasília fosse provocada para uma nova lei que desse benefício para os clubes se tornarem empresa. À exceção do Flamengo (e, nem ele próprio sabe até quando), agora todos querem adotar o modelo empresarial. 

Talvez, para alguns clubes, e como exemplos quase definitivos, Botafogo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro, em razão de suas estruturas feudais (quer dizer, inexistente), seja tarde. É que a ofensiva negativa do Covid-19 será tão violenta, que irá repartir os tempos do futebol: haverá para muitos clubes uma história antes, e outra história depois, da pandemia. Talvez, todos, sem exceção, terão que dividir a sua história. 

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Nesse ambiente, quando se trata do Paraná, pensa-se no Athletico Paranaense, que no tempo anterior ao Covid-19, era o exemplo de preparo para o futuro. Mas para isso, teve que criar uma estrutura caríssima que remunera 800 funcionários. Resta saber por quanto tempo, porque sem a nova lei e sem “os chineses” que o queriam como “a noiva da vez”, a realidade é outra.