Mário Celso Petraglia, às vezes, também, me surpreende. Quando toma decisões sem a retórica do populismo e rica em fatos concretos, o doutor mostra o grande dirigente (o maior do Brasil) que poderia ser. A decisão do Atlético de proibir a identificação de torcidas organizadas na Baixada, embora esteja na cota das obrigações mínimas, foi um ato de coragem. O doutor mostrou que o Atlético é maior que todos, não aceitando a submissão às tribos, que organizam núcleos de intolerância, transformando-se em autenticas guerrilhas sem ideologia, usando como disfarce a camisa rubro-negra.
A decisão de Petraglia, pelo Atlético, que acaba com privilégios odientos, tem que ter apoio irrestrito e sem condições. Sei: esse apoio público é para quem também tem coragem. Do contrário, haverá sujeição à violência, e daí todos nós correremos o risco de ver o futebol enlutado.
O Atlético fez a sua parte. Mas o delegado Clóvis Galvão não fez, ainda, a parte da polícia. Afirmou ele que depende da queixa do clube ou de Walter. Os fatos que são públicos e provados documentalmente (vídeos), querem alcançar o valor maior do ser humano, que é a vida. O simples conhecimento do fato já é suficiente para agente estatal agir, independente de provocação. O doutor Galvão deve saber que as regras formais estão cedendo à realização de valores, principalmente quando se trata de proteger a vida. Há fotos e vídeos mostrando em carne e osso os “atleticanos” para serem alcançados.
A decisão do Furacão pode ter reflexos no campo. As ameaças das organizadas, sem nenhuma reação pública da diretoria, já estavam criando uma insegurança aos jogadores. Eles sabem, agora, que têm proteção para exercer uma profissão que também dá o direito de errar.
Na Baixada, à noitinha, o Atlético deve passar sem traumas pelo Brasil de Pelotas. Uma boa oportunidade para Walter se reconciliar com si próprio.
O Furacão tem três decisões: contra o Brasil, na Copa do Brasil, contra o Paraná, no Estadual, e contra o Fluminense, na Primeira Liga.
Entre os três, já escolhi: os três. Seria a dose suficiente para quem não ganha nada há muito tempo.