Atlético, um time sem face

Na entrevista que concedeu ao notável jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, o doutor Mario Celso Petráglia afirmou que a saída de Eduardo Baptista foi em razão de que o treinador não aceitava o modelo de jogo do clube. E daí arrematou: “Aqui no Atlético Paranaense, o modelo, o sistema tático e o técnico são definidos pelo clube, não pelo treinador”.

Ontem, contra o Cruzeiro, na Baixada, o Furacão seguiu as ordens desse poder. Resultado: um time deprimido, fatalista, sem jogo, sem sorte, um doce para os mineiros, chutando duas bolas a gol (Otávio e Nikão) durante 90 minutos, voltou a perder, 2×0.

Em razão das diferenças absurdas a seu favor, o Cruzeiro precisou apenas ser razoável, dispensado de qualquer esforço. Marcou com Lucas Romero e Rafael Marques, um em cada tempo, com um esquema baseado no excelente Thiago Neves.

Quando a derrota se torna uma rotina e a torcida aceita-a resignada, procura-se outra questão.
A frase do doutor Petraglia tem que ser associada a essa nova derrota. Admitindo que “o modelo, o sistema tático e o técnico são definidos pelo clube”, imprime ao cargo de treinador a impessoalidade, como se o futebol fosse mecânico. Isso significa que os jogadores olham para o banco, clamando por apoio do comandante, e veem apenas uma figura meramente decorativa. Esse sistema subtrai o atributo mais importante do cargo, que é a pessoalidade.

Um time com um treinador que só enfeita porque é obrigado a adotar opiniões estranhas, função que irá desempenhar o professor Soares, é um time sem face.

Divisória

O Coritiba não ganha há 7 rodadas. E pelo que vem jogando, sugere dificuldades no jogo com o Avaí, em Florianópolis. Mas vejam o que é um campeonato de pontos corridos. Uma vitória num universo de sete jogos, em tese, é pouca coisa. Mas se os coxas ganharem esse jogo, recuperam posições e apagam temporariamente o atual presente.

Pode-se entender que o treinador Pachequinho se debruça em problemas com as ausências de Werley, Alan Santos, Tiago Real e William Matheus. Se forem comparados titulares e reservas, só William Matheus pode ser considerado uma efetiva perda. Por ser bom individualmente no apoio, a regra do time para atacar sempre é interpretada por ele.

No futebol atual, quando há pouca diferença entre reservas e titulares, um time sofre.

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