A minha geração, a exceção de Fernando Henrique Cardoso, não foi feliz com seus governantes. E, há poucas esperanças que, ainda, venha a ser.

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Depois de duas décadas de arbítrio, por ter apostado sem sorte em Tancredo Neves, acabou ficando com José Sarney, que afogou o povo na inflação de 80%. Quando merecia um consolo, caiu no conto de um vigário, que até hoje atende pelo nome de Fernando Collor de Mello.

O grau de transigência com o poder, e de humilde de Itamar Franco, abriu espaço para Fernando Henrique Cardoso ser um conforto. Mas, daí, veio Lula, negociando ilusão por voto. Por não ter participado da troca, não me surpreendi com a sua passagem pela prisão.

É que sua ascensão, ainda, no tempo dos militares, coincidiu com o sucesso do filme “Sindicato de Ladrões”, que mostra o ambiente prostituído do sindicalismo. No filme, o mocinho do imortal Marlon Brando, antes de dar a cara para bater, participou de um crime. 

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Seguiram-se Dilma e Temer. Aquela burra, e esse um Lula de casaca, irão para o pé da página.  

Bem por isso, quando vejo o presidente Jair Messias Bolsonaro e seus filhos, tornarem-se uma versão política de Serafim e seus filhos, cantada por Sérgio Reis, lembro da desesperança Franz Kafka, no seu “O Castelo”: “existe esperança, esperança infinita – mas não para nós”.

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Mas, a minha geração não precisa dessa esperança.  É, que ainda jovem, ganhou a consciência de que não poderia contar com o Estado como um valor de proteção.  Protegida pela família e o trabalho, criou situações para manter a dignidade até o final da régua. 

Esse sentimento retrospectivo provoca-me uma dúvida: quando que Athletico e Coritiba voltarão a ganhar um título do Brasileirão?  Pergunto, por que foram campeões quando o sistema era classificatório (1ª. fase) e eliminatório (fases finais).  Agora, é por pontos corridos.

No sistema antigo havia a participação do acaso. E a ocasião fez o papel do Coxa e do Furacão.

Lembremos. Em 1985, para não ser eliminado pelo Fluminense, teria que ganhar do Santos, no Couto Pereira. Os coxas já tinham perdido a esperança, quando nos descontos, de uma jogada de Marco Aurélio, Lela venceu o goleiro Marola e fez 2 a 1. 

Depois, na fase do “mata-mata”, o Coritiba foi soberbo.

Em 2001, as fases finais com critério eliminatório, seriam em um único jogo, na casa do melhor colocado. Com o São Caetano, em primeiro, o Athletico disputava o segundo lugar com o São Paulo. Teria que ganhar em Salvador, e ganhou do Vitória, 4×1; e, ainda, o São Paulo e Fluminense não poderiam ganhar, o que aconteceu.  

Depois, na “mata”, o Furacão foi irresistível contra Fluminense, São Paulo e São Caetano.

Então, pergunto: Athletico e Coritiba ganharão um Brasileirão por pontos corridos?

Volto ao tema, amanhã. 

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