Atletiba, outra vez

Quando não se espera mais nada de um campeonato pobre como esse Paranaense, sempre resta uma esperança: a decisão em Atletiba. E serão dois – por ordem, no Couto e da Baixada. Despreza-se a falta de qualidade dos times, e ignora-se, hoje, a pouca importância do Estadual para quem já foi campeão do Brasil, para se destacar o Atletiba como um dos bens imateriais mais valiosos de Curitiba.

O Coxa já estava na final. O Furacão, ontem, chegou ganhando do Londrina na Baixada, 1×0. O gol foi de Zé Ivaldo, mas 99% dele pode ser dado para João Pedro. A bola que o menino deu para Zé marcar, a minha geração viu muitas com Gerson, “o Canhotinha de Ouro”.

E não foi uma vitória qualquer essa do Furacão. Ganhou com um jogo precioso sob qualquer aspecto: individual, sob o comando do menino João Pedro, que até um dia desse estava sendo oferecido no mercado. No aspecto tático, foi perfeito. Seu treinador Tiago Nunes, embora jovem, não é bobo. Prevendo a intenção traiçoeira do Londrina de jogar atrás, esperando um vazio para fazer o gol, fez o seu time jogar pressionando no campo alheio. Sem espaços, o Tubarão foi dominado. Foi de um a zero, mas poderia ter de uns 3×0. Como sempre se reserva uma última emoção na Baixada, no finalzinho do jogo, Caíque perdeu o gol de empate para Londrina. Com uma imensidão da meta à sua frente, chutou em cima de Léo Pereira.

Como diria o saudoso presidente Rubens Passerino Moura (1970), “que venham os coxas”.

Outro rumo

Beto Richa renunciou ao cargo de governador do Paraná. Agora, dia 7 de abril vai entregá-lo para a senhora Cida Borghetti, mulher de Ricardo Barros. Barros, dono do Partido Popular ­ o PP -, foi o ministro mais lustroso do governo Temer, por comandar o ministério mais rico que é o da Saúde.

A saída dos Richas e a entrada dos Barros provoca uma questão que interessa ao Atlético: como o novo governo do Estado irá tratar o Atlético no caso dos empréstimos da Fomento Paraná na construção da Baixada para a Copa do Mundo? O Furacão receberá o tratamento de um devedor comum, que deve responder com seus bens pelas dívidas, ou como um devedor injustiçado, que carrega o ônus de uma dívida que tem que ser dividida em três partes com o Estado e o Município de Curitiba?

Negociar com Ricardo Barros não é fácil.

Profissional da política, com mestrado e doutorado na escola do fisiologismo, tornou-se um dos políticos mais poderosos do Brasil.

Como Ricardo Barros tratará o Atlético? Afirmo Ricardo porque será ele o governador de fato, com todo o respeito a dona Cida.

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