Atletiba de história

Foi um Atletiba em estado puro. Sinceros, porque conscientes da falta de qualidade, Atlético e Coritiba pareciam ter descoberto o jogo pelo ideal. E daí como se tivessem saudades dos tempos do amadorismo foram à luta com o corpo: marcando, trucando, batendo e, de vez em quando, jogando fizeram um Atletiba que a história vai separar, para permitir que depois cada um conte à sua maneira. Mas seja qual for a versão, nenhuma será verdadeira se não considerar o empate como resultado de dois fatos.

O primeiro de caráter imediato, afirma que o Atlético que propôs o jogo só com intenções ofensivas, desnudou os coxas e não ganhou só em razão da absoluta incapacidade de transformar o domínio em gol. Uma ou duas bolas na trave pode se atribuir ao acaso; mas quatro, é falta de capacidade de finalizar. Uma, a especial, a do pênalti perdido por Nikão, que transformado em gol iria dar a direção ao jogo que o Furacão merecia. A quarta, foi também, especial, porque foi de castigo: quem já tinha Ederson, e depois, busca em Ribamar a solução para um Atletiba é explicável que não a tenha.

O outro fato, que pode ser atribuído à consequência do primeiro, porque o jogo estaria resolvido se o Furacão não perdesse tantos gols, foi a influência do árbitro gaúcho no resultado. A falta de Pavez em Rildo na área, é uma discussão que termina em botequim: foi pênalti.

Só que a consequência não se esgotou no pênalti em si, embora pudesse ser o fator decisivo para a vitória coxa. Não marcado, permitiu ao Atlético fazer o contra-ataque em velocidade que foi parado com falta por Iago dentro da área, resultando no pênalti que Gedoz transformou no gol de empate. Como em uma partida uma jogada é consequência da outra, houve conexão entre o pênalti não marcado em Rildo e o pênalti convertido por Gedoz.

Bem resumida, a história desse Atletiba tem que ser contada assim: submetendo o Coxa ao seu domínio, o Furacão perdeu pênalti, mandou quatro bolas na trave, fez do goleiro Wilson o melhor em campo, mas só conseguiu o empate por um erro da arbitragem.

Com duas defesas espetaculares, o goleiro Wilson foi o melhor. A arbitragem de Daronco foi insegura e o público de 17 mil pagantes um fracasso diante da importância do jogo.

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