Atípico

Converso com Giovani Gionédis e pergunto ?qual o futuro dos coxas da forma como andam neste campeonato?. Responde Giovani: ?Vai se classificar, estará na primeira divisão em 2007, pois o jogo contra o São Raimundo foi atípico pelo número de gols perdidos?.

Eis a palavra da moda no futebol brasileiro: ?atípico?. Até bem pouco, o modismo era ?falta de atitude?.

O conceito de atípico varia de acordo com o caso concreto. Em regra, atípico é o que se afasta da normalidade.

No futebol, então, seria atípico o jogo em que o time que normalmente \ ganha deixa de ganhar.

É possível usar esse termo ao Coritiba?

Dos últimos 12 pontos que disputou, ganhou apenas dois.

Às vezes, deformam-se conceitos, ampliando-os ou reduzindo-os de acordo com o interesse na causa. É quando surge o risco de um fato que é defendido como atípico se tornar típico.

O Coritiba, hoje em Itu, precisa responder o que lhe é regular: vencer ou não vencer.

Carinho

Quando comecei a advogar, o dr. José Cadilhe de Oliveira já era o maior advogado esportivo do Brasil. O tempo passou, trinta anos voaram, e eis a grande verdade: nenhum advogado da minha geração na Justiça Desportiva conseguiu alcançar o dr. Cadilhe, cuja soberania continua preservada, se não na oração jurídica por estar doente, mas na memória de todos que o acompanhavam.

Cadilhe era um espetáculo no palco. Como tribuno não teve igual, principalmente pelo improviso que uma situação de emergência no julgamento reclamava. Interpretando as confusas leis de disciplina esportiva criava o juízo de convencimento dos julgadores, que na dúvida não votavam na parte, mas não votavam contra os argumentos de Cadilhe. A sua oração era tão formosa, que se criou o princípio ?na dúvida, a favor de Cadilhe?.

Cadilhe está doente.

No Hospital do Pilar está sozinho. Não fala do que precisa. Desconfio que seja carinho, afeto e provocação de boas lembranças. Carinho e afeto não custam nada.

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