As viúvas de Chapecó

Quando se busca proteção na tragédia, tem-se o abuso da dor. Minha visão da tragédia da Chapecoense, talvez, para muitos não teve muito alcance. É verdade: minha visão procurou e parou na vida perdida das pessoas, não alcançando o lado esportivo, que resumiu na Chape como instituição.
É que em razão da minha formação jurídica, não consigo desprezar fatos que para muitos parecem irrelevantes. Vi movimentos intensos e extraordinários para a reconstrução da Chapecoense como time de futebol, mas vi incursões remotas para restabelecer a efetiva situação financeira das verdadeiras vítimas: os familiares de jogadores e jornalistas. E essa onda de sentimentos, tornou submisso os familiares, como se eles não tivessem direitos materiais a serem resolvidos.
Ninguém queria enfrentar de público um dos fatos mais relevantes para a ocorrência da tragédia: a responsabilidade da Chapecoense, e decorrente de culpa por escolher a companhia área. O clube foi tratado (e continua) sendo tratado como vítima, quando na verdade ele é responsável solidário.
Mas todos pareciam com medo de enfrentar essa verdade. Como um dia, os familiares do zagueiro Vagner que saiu do campo da Vila Capanema para morrer, quiseram e conseguiram mostrar a sua verdade.
Escrevo isso para enaltecer a família de Caio Júnior. O gesto não é grande pelo resultado material futuro, mas por ter provocado sentimentos de viúvas e filhos mais simples, que estavam submissos e amarrados a obrigações de respeito e solidariedade institucionais.

Velho expediente

Às vezes é inevitável, lembro do saudoso Evangelino Neves, presidente do Coritiba. Sempre que os coxas iam jogar uma partida decisiva, ele mandava noticiar que o clube tinha interesse em determinados jogadores, do time adversário. O exemplo clássico desse fato, foi quando certa vez o Coritiba foi jogar em Jandaia (1968), Evangelino disse que poderia trazer meio time do Jandaia. Quase trouxe: vieram o goleiro (não me lembro o nome), o lateral Antoninho Português, e os atacantes Coutinho e Kosilek. Os coxas ganharam o título. Mais tarde foi decidir em Bandeirantes, e Evangelino anunciou: “quero Pescuma, Tião Abatiá e Paquito”. Vieram os três. E o Coritiba foi campeão.
Ontem, o Coritiba acertou o centroavante Getterson e o meia Tomas, do Jotinha para o Brasileiro.
Será campeão?

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