Hoje é aniversário do Atlético: 91 anos. Talvez, a sua torcida não consiga expressar o estranho sentimento que a domina: a alegria de ser atleticano está confinada ao coração, proibida de lá sair e se expor, está presa pela ignorância do poder arbitrário.
É isso que eu sinto: eu queria ir festejar o aniversário do meu clube, mas confesso que tenho medo. Às vezes sinto que a alegria de ser atleticano é um valor que os atleticanos roubaram do feudo que se tornou posseiro da Baixada. Tenho medo que a minha paixão seja processada. Como escreveu o poeta argentino Jorge Luiz Borges: “Calam-se as cordas. A música sabia o que eu sinto”.
A cultura do ódio que governa o Atlético está esfriando os seus sentimentos, tornando-os mecânicos, e bem por isso, às vezes, indiferentes. O único sentimento que está restando é o de tristeza, motivada pelo fracasso, que tem como causa a deformação da personalidade.
Vejam só no que resulta a imposição do arbítrio e do ódio, em prejuízo da razão e da liberdade: hoje, a maior instituição esportiva do Paraná, um dos maiores clubes do Brasil, o Furacão poderia reunir 40 mil atleticanos na Baixada e motivar um cem números de encontros festivos de várias classes sociais, para comemorar o seu aniversário. No entanto, os encontros serão furtivos, longe da Baixada, como se ser atleticano é se apossar de um valor alheio. Confesso minha tristeza, porque não há nada o que fazer principalmente quando a poesia do atleticano Leminski nos provoca uma verdade: “Essa minha secura, Essa falta de sentimento, Não tem ninguém que segure, Vem de dentro”.
Bem baixinho, às escondidas, vou comemorar. E exclamar: “Parabéns, meu Atlético!”
Viagens Enquadradas
Minha filha Betina, a terceira, foi estudar fotografia em Montreal e ficou por lá. A sua curiosidade de flagrar o que está atrás das lentes, transformou-se em ideal. Fotografa tudo, mas fotografa principalmente a vida.
Hoje, Betina Abrão expõe em Curitiba, uma parte do seu trabalho “Viagens Enquadradas”.
Local: NomadRoots Viagem e Conhecimento. Rua Tobias de Macedo Júnior, 1315/1323, Santo Inácio.
A curadoria é de Andressa Gulin.
