A certa altura do jogo, a grama sintética pela sua exuberância, e os 35 mil atleticanos pela sua paixão, transformaram-se nas únicas coisas naturais na Baixada. O mais importante, o time, é que parecia artificial, constituído por componentes insensíveis à importância do momento. O gol de Otávio que só ocorreu no último ataque, e por obra do talento de Walter e Vinícius, foi merecido pela torcida, mas não pelo futebol que o time jogou.

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O Atlético ganhou do Criciúma (1×0) pela Primeira Liga jogando, outra vez, sem nenhuma ordem tática, o que o obrigou a remeter a solução do jogo à individualidade. Se Cristóvão Borges tinha, ainda, o argumento de que faltavam Walter e Nikão, agora não faltam mais. Com eles e Sidcley, não há mais lugar para tentativas com Marcos Guilherme e Anderson Lopes, esse uma péssima contratação. Do meio para frente qualquer um de bom senso escala Deivid, Otávio, Sidcley, Nikão, Vinícius e Walter. Qualquer técnico lúcido, com esses jogadores recebendo uma forma de jogo, é possível fazer o Atlético jogar.

O Atlético ganhou, importa para a torcida. Não para o time e para Cristóvão.

Greve

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Uma reação de censura dos jogadores a um clube, não é provocado por ações intempestivas e emocionais. Ela nada mais é do que a consequência do acúmulo de diversos fatos. A negativa dos jogadores do Coritiba em concentrarem para o jogo com o Rio Branco, foi o corolário de um estado que a própria diretoria criou e minou ao descumprir sistematicamente as obrigações.

Na atitude dos jogadores não há o caráter radical, como pode ser interpretado pela paixão da arquibancada. Não está se falando de um atraso de dias, mas de meses, inclusive a verba sagrada do décimo-terceiro. O atraso sistemático de uma remuneração mensal provoca um descompasso na vida pessoal de qualquer um.

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Mais grave: a diretoria, ao querer amenizar a crise, solta uma nota afirmando que a quitação será total ou parcial. Quer dizer: uma das hipóteses que admite é continuar devendo. E concorre, também, como motivação para esse movimento, o fato de que os jogadores só tratam com executivos, que pelo cargo que exercem, obrigam-se a serem patronais, uma espécie de “garotos de recados”, não sendo, portanto, confiáveis.