Ninguém escreve melhor do que Tostão. Não trata do futebol como um fato abstrato, que se esgota em 90 minutos. Para o mestre, o futebol é coisa da vida e da alma do povo, que vai bem além de quatro linhas.

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Foi assim na sua crônica (Folha de São Paulo, 5/10/2008), quando escreveu: “Enquanto o presidente da República só pode ser reeleito uma vez, os presidentes de clubes, de federações, da CBF e do COB se perpetuam no poder, graças às manobras de seus parceiros. E ainda arrumam empregos para amigos e parentes”. As verdades de Tostão não só nos ensina, como também, às vezes, nos constrange.

Veja o caso do Atlético Paranaense, o clube de maior torcida do Paraná. Em entrevista (Gazeta do Povo, 5/10/2008), ao tratar da reserva da cadeira de sócio número 20 mil, disse o presidente do Conselho Gestor, João Augusto Fleury da Rocha: “Esses torcedores que estão chegando ao clube vão preparar a minha saída e a do Petraglia, daqui a cinco, dez anos”.

A transcrição de uma declaração, não pode ser analisada na sua literalidade, mas interpretada com as circunstâncias. Se não bastasse ter se revelado um péssimo exemplo de submissão, Fleury, agora, apresenta-se como exemplo de arrogância, como se a sua história no Atlético fosse a de um realizador.

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Mais do que com arrogância, Fleury tratou do gravíssimo problema com ironia. Está no elemento temporal da frase, ao dizer que se prepara a saída para “daqui a cinco, dez anos”.

Volto à crônica de Tostão. Escreveu o mestre: “O ser humano, na sua prepotência, acha que só existem no mundo as coisas que ele vê e analisa. Assim como alguns animais enxergam e percebem várias coisas que desconhecemos e não vemos, há um saber inconsciente, intuitivo, que antecede e/ou vai além do raciocínio lógico”.

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Resta saber se Mário Celso Petraglia mandou Fleury falar o que falou.