Nunca tinha ouvido falar nesse João Paulo, zagueiro do Paraná. E não era só eu que desconhecia a sua existência: no máximo, era mais um jovem entre tantos, que sonha em fazer do futebol o trânsito de uma vida plena de felicidade, incluindo aí o bem-estar financeiro.
Mas o futebol é mesmo pródigo de extravagâncias, inclusive de apresentação de desconhecidos: João Paulo se apresentou não somente aos mortais desta terrinha, mas ao mundo. O gol antológico que fez em Goiânia, chutando de primeira da zona morta do meio campo uma bola devolvida pelo goleiro, alcançou, em tese, o impossível. O gol como obra de arte foi tão belo, que nenhum outro mortal conseguiu. Pelé perante João Paulo se tornou um simples mortal.
E nem se pode dizer que foi ocasional, porque um fato de ocasião é o fato inesperado, e àquela altura do jogo, não existe outra solução senão a de chutar de onde estava. E nem se pode dizer que foi sorte, porque a sorte é produto do acaso, e no caso quando a bola chegou, João Paulo já tinha o seu querer programado, que era o chute um fato antevendo, para ele tornou-se previsível.
Um amigo atleticano, com um misto de ingenuidade e inveja, disse-me: ?Nunca mais ele vai acertar outra!?. Concordo, se repetir cem vezes aquele lance, João Paulo, em tese, não fará o gol.
E nem será desafiado para repeti-lo. O lance que primeiro queria, e depois no seu íntimo teria, acertou. Passou do limite humano, seja lá a sua natureza: inteligência para ver, capacidade de raciocinar para antever, e o chute de sem pulo, certeiro, transformado em gol. O chute pode até ser creditado à sorte, mas essa não existiria se não fossem a inteligência e a capacidade.
Não haverá outro igual. Nem de João Paulo, nem de ninguém.
Prazer, jovem João Paulo. Meus respeitos.