Nesse espaço dou pausa para a Copa do Mundo. Há um assunto importante a ser tratado.
Já há alguns dias, o Atlético anunciou Doriva como seu novo treinador, criando uma situação para Antônio Lopes ir embora da gerência do seu futebol. Meu silêncio não foi por desprezo, mas por querer entende-lo melhor. É preciso puxar os antecedentes: o Atlético especulou durante cinco meses com Miguel Ángel Portugal, que foi contratado como um revolucionário.
Apertado pelos números que lhe abriam a boca da zona de queda, demitiu-o e improvisou como técnico o assistentes Leandro Ávila. Resultado: o Furacão esticou uma série de vitórias, que o coloca na boca da outra zona, a de classificação para a Libertadores. Mais do que ganhar pontos, ganhou os jogos tendo causa imediata uma boa disposição tática. O bom futebol, que era improvável com Portugal, passou a ser uma tendência otimista com Ávila.
Agora, se anuncia mudança radical no futebol. O técnico Doriva, com um currículo que se resume ao título paulista pelo Ituano. Ganhar um estadual não é mais trânsito para criar juízo de convencimento. Doriva não deve saber mais do que Leandro Ávila. Chega sem o direito de errar em razão de todas essas circunstâncias, em especial, a de que Leandro já ganhou o apoio da torcida.
Não se trata de levantar questão sobre as virtudes de Doriva, embora possa se sublinhar o fato de que há tempo no mercado, nunca ganhou expressão. Bem conceituado, ainda é um técnico de segunda.
A questão de fundo é a contratação de um novo técnico (poderia ser outro qualquer) em razão dos antecedentes recentes que envolveram o cargo. É a mudança desnecessária e repentina que provoca a apreensão. O time e a torcida se deram bem com Ávila. Por que correr o risco com um técnico que, pelas circunstâncias, terá que ganhar imediatamente como o interino fazia?
Como em todos os atos do presidente Mário Celso Petraglia há sempre um componente que não se vê, por enquanto Doriva é mais uma aposta. Apostas como essas, no Furacão, já é histórico, sempre se transformaram em uma aventura mal sucedida.