Perguntam-me o que tenho contra Geninho? Atualmente tenho tudo, mas já tive a favor. E nem foi por causa do título de 2001, o que seria cômodo, como é para qualquer um exaltar profissional campeão. Estive publicamente ao seu lado, por uma questão de convicção própria, quando Mário Celso Petraglia denunciou o salário milionário, que “o Atlético não podia pagar aos Geninhos da vida”.

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E nesta ocasião fui contra, inclusive, o meu princípio de que a instituição deve ser preservada. Certa ocasião, a torcida do Coritiba, entre o técnico Abel Braga e o presidente Jacob Mehl, pediu a permanência do técnico. Abel teve a grandeza de respeitar o clube e pedir demissão.

E por isso poderia entender que Geninho não poderia ofender Mário Celso, como ofendeu. Só não o critiquei, porque sou um jornalista e não representante do clube, mas em um grande clube, a reação contra Mário Celso exigiria, no mínimo, uma censura pública ao treinador, por parte do Atlético.

Quando critico Geninho eu me baseio em fatos concretos, o que tira a natureza sistemática da critica. Nem discuto a sua manifesta incompetência para dar solução que um time precisa durante um jogo. Desafio-o, e aos torcedores que lhe juram lealdade também, que me apontem um único jogo em que a sua intervenção mudou o rumo das coisas a favor do Atlético. Mas sou capaz de apontar inúmeros jogos em que a sua intervenção levou o time ao fracasso, como no Atletiba, e agora no domingo contra o Náutico.

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Mas achar que Geninho é bom ou mau treinador, repito, é questão de ponto de vista. O que censuro é o seu comportamento pessoal. Faz-se de cordeiro perante a torcida, jurando amor eterno ao clube, mas se apresenta como um lobo longe dela.

Escrevi que a proposta do Grêmio Portoalegrense era um blefe, e ele não se preocupou em demonstrar que era verdade. Escrevi que ele exigiu o cumprimento de uma promessa financeira às vésperas do Atletiba, e ninguém desmentiu.

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A grande deficiência pessoal do técnico é o caráter populista como ele trata as coisas. Ele disse que iria embora o dia que sentisse que havia desaparecido o vínculo com a torcida. Quer dizer, ele criou uma condição que só ele é quem decide quando esse vínculo estará quebrado ou não.

Aproveita-se da excelência de formação pessoal do presidente Marcos Malucelli. Advogado, não se sente à vontade de quebrar um contrato. Mas Geninho, dentro da regra emocional que ele próprio ditou, acha que o encanto com a torcida continua. É ele quem dita o bem-me-quer, mal-me-quer. E, assim, vai transformando os atleticanos em otários apaixonados.

Audiência

O meu informante exagerou e eu pisei na bola. As audiências de Maculan e Carleto, contra o Atlético, foram realizadas sem nenhuma anormalidade. A briga entre Petraglia e Carleto não existiu, porque o conselheiro atleticano mandara um aviso: que o ex-funcionário não poderia sequer lhe cumprimentar pela ingratidão com o clube.