Ao deus-dará

Não foram poucas as vezes que escrevi, e não me custa repetir: a questão da obrigação pelo pagamento do valor final da construção da Baixada, não se esgota em uma cláusula isolada do termo de ajuste, que limitou o custo em 180 milhões de reais. Uma decisão justa, tem obrigatoriamente que apanhar todos os termos de reuniões entre Atlético, Estado e Município e analisar o comportamento ativo ou passivo das partes durante a construção.

É possível afirmar que todas essas circunstâncias, transportadas para os princípios gerais dos contratos, irão autorizar a conclusão de que a cláusula limitativa do valor foi absorvida, deixando de prevalecer como referência absoluta do valor final da Baixada.

Se o Atlético tem essa causa, que não decorre de tese, mas de fatos e documentos, por que não enfrenta e busca uma solução? Passados quatro anos, não fez absolutamente nada com o objetivo prático de resolver a questão. Pagando honorários extraordinários para economistas, engenheiros e advogados limitou-se a apenas se defender nas execuções propostas pela Paraná Fomento.

Disfarça com uma ação de produção antecipada de provas, que de prático não levará a nada. Nessa ação, quer preparar provas, que poderiam ser produzidas diretamente em uma ação direta, pede uma inusitada audiência de conciliação, quando, no caso, diante do interesse púbico, não se podem conciliar por tratarem de direitos indisponíveis.

O pouco que fez (entendo que nada fez) para alcançar o seu direito, caracteriza-se como uma grave omissão de Mário Celso Petraglia, o gestor da obra, enquanto presidente de fato e de direito do Atlético.
Esgotado o seu último recurso político pelo esvaziamento do governador Beto Richa, ignorado pelo prefeito Rafael Greca, Petraglia vai administrando o caso com seus velhos e conhecidos instrumentos: com a falta de disposição de investigar e de cobrar da imprensa, culpando terceiros, e com a falta de estrutura das varas fazendárias, ganha tempo para que a sua imagem de fazedor não seja arranhada, e na dúvida, a eternidade salve a sua história.

Os atleticanos, ainda, não ganharam consciência da gravidade do problema. Quando tiverem essa consciência, pode ser tarde. O patrimônio do Furacão foi entregue por Petraglia ao deus-dará.

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