Antiga lição

Os argumentos da autogestão na construção da Baixada estão sendo derrubados um a um. A intervenção do poder público deu à obra a credibilidade perdida pela absoluta falta de confiança em Petraglia. O último argumento, o mais importante, embora o mais populista, era o de que Curitiba teria o estádio mais barato daqueles construídos para a Copa.

Confirmado o orçamento de R$ 320 milhões, não é mais.

Se a obra já estava com o percentual de 45% concluída quando começou (e é verdade), e agora, custando R$ 320 milhões para terminar, basta uma regra de três: 55% equivale a R$ 320 milhões, logo 100% equivale a R$ 582 milhões. Não se despreze o fato que a Baixada terá 41 mil lugares. Sairá mais cara do que a Arena Pernambuco, que com 44 mil lugares, saiu por R$ 532 milhões. Bem mais cara que a Arena Natal, que com 42 mil lugares, custou R$ 417 milhões. E mais onerosa, também, que a Arena Pantanal, que com 43 mil lugares custara R$ 525 milhões.

Agora caçam as bruxas, procurando os culpados por aqui. Em 25 de julho de 2011, antes do projeto da autogestão proposto por Petraglia ser o escolhido, escrevi a coluna “Cheque em branco”. Confira, leitor, que quando se conhecem as intenções e os objetivos de pessoas é possível antecipar os fatos.

Escrevi: “Os conselheiros do Atlético nunca tiveram um papel tão importante na história da vida do clube como terão na noite de hoje. Se reunirão para decidir o que fazer com a Arena da Baixada: construí-la com risco zero de dívida, entregando a metade das receitas para a OAS durante 20 anos, ou construí-la adotando a proposta de Mario Celso Petraglia, o que implica no risco portentoso e concreto de endividamento, que vai subtrair todas as receitas do clube durante muito anos. A verdade é que, quer seja ou não encontrada na aritmética, na lógica ou em qualquer outra ciência, a forma de construir uma obra sem traumas não é possível sem onerar o patrimônio próprio e se submeter a sacrifícios pesados, imediatos e futuros. No futebol, sacrifício confunde-se com a bola.

A primeira fase da Baixada, em valores aproximados, foi orçada em US$ 15 milhões. Custou US$ 28 milhões. Hoje, o que for prometido por 150, custará no mínimo 60% a mais. O que os conselheiros não podem é dar um cheque em branco a quem quer que seja, para que se gaste em nome do Atlético, sem se submeter a uma fiscalização rigorosa de técnicos financeiros e de engenharia. Caso contrário, os conselheiros serão os responsáveis por eventuais danos”.

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