A concentração de poder deseduca o dirigente, desvia-se de seus princípios naturais para negar-se, então, a fazer penitência dos seus erros. O resultado é o dirigente retroceder à adoção de velhas convenções.
A demissão do treinador Marcelo Oliveira, do Coritiba, embora justa pelos fracassos do time, foi cômoda para o presidente Vilson Ribeiro. O fim da relação foi melhor para o treinador. Não tinha mais nada para ganhar, porque a dificil recuperação no Brasileiro nada iria acrescentar ao seu currículo de treinador capaz e sério. Ao contrário, a tendência era só de desgaste. A imagem que ficou foi a de que não saiu pelos resultados, mas pelo desgaste do tempo. Em resumo: o Coritiba deu uma solução para a carreira de Marcelo Oliveira, mas não deu para o seu problema, cuja causa imediata não foi atacada.
Depois que recebeu carta branca no comando do futebol, o gerente Felipe Ximenes contratou por sua conta, mas por risco do clube, Deivid, Marcel, Raul Ruidiaz e Keirrison (atacantes); Henrique, Jackson, Vitor Ferraz e Ayrton (laterais); Sérgio Manoel, França e Chico (volantes); Renan Oliveira, Emerson Santos e Lincoln (meias); Bruso Fuso (goleiro) e Escudero (zagueiro). Bem espremidos, sobra Renan Oliveira.
A contratação de Deivid pode manter um problema, que é a falta de gols, mas pode arrumar outro mais grave, que é o sentimento de um trato desigual financeiro, que já está dominando alguns jogadores que foram impedidos de sair. Como a paixão no futebol varre as más lembranças, os Coxas esqueceram que isso aconteceu em 2009, quando houve o segundo rebaixamento. E Felipe Ximenes estava bem presente.
O Coritiba joga contra o Flamengo. A saída de Oliveira não desarmou o espírito, e o medo de rebaixamento continua ambientando a torcida. O seu novo comando é mais para especular o futuro do que resolver o presente. Esse negócio de futuro no futebol tem contornos imprecisos. Para o time que está em queda, o futuro tem que ser antecipado.