Ano zero

Uma das grandes frustrações que tive foi não ver o sucesso de querido Adilson Batista no comando técnico do Atlético. Mais do que um conhecido, era um afilhado. Como repórter diário na Baixada, conheci-o menino e fui testemunha quando o saudoso Geraldino, o transformou em um quarto zagueiro exuberante.

Há uma explicação para a queda de Adilson no mercado de treinador. É que tudo na sua carreira foi muito rápido. Numa só tragada passou por Cruzeiro, Gremio, Santos, Corinthians, Atlético e São Paulo. Adilson não precisou sofrer como os treinadores que se estabilizaram em um estágio de privilégios. Agora é possível afirmar, que Adilson esteja já curtido e preparado para enfrentar um grande desafio.

Não vejo Adilson já há algum tempo. Mas me veio na lembrança em razão do que anda ocorrendo com Marquinhos Santos, treinador do Coritiba. A torcida chama-o de “burro”. Os teóricos do microfone só faltam dizer que é cego, e que por não ver o jogo, erra nas substituições.

Marquinhos não é burro e nem cego. Os seus erros não produzidos pela falta de capacidade, mas pela insegurança que se origina da inexperiência. Para ser técnico do Coritiba, o que por tradição não é pouca coisa, não enfrentou a falta de campo, de jogador, de camisa, de calção, de meia e de chuteira. Com um pouquinho só ganhou um prestígio e um contrato raros para um treinador jovem. Às vezes faz com que a capacidade que demonstrou ao salvar o clube da segunda divisão, confunda-se com a sorte de ter tido um talento raro como Alex, capaz de carregar um técnico e um time.

O primeiro ano sem Alex seria pesado para todos.

Para Marquinhos, em especial.

Na Vila

O jogo de hoje na Vila entre Paraná e Botafogo, será importante: para o Tricolor, que está deixando o tempo passar sem ganhar pontos; e, para o treinador Nedo Xavier, que já vai para o quinto jogo e precisa fazer o time jogar. Ficar sem ganhar três jogos é uma contradição ao objetivo de voltar à Primeira divisão. Um time só consegue uma boa estrutura somando pontos. Como não gosto de especular, já dou a minha opinião: Nedo Xavier é gente boa, honesto e trabalhador. Mas não é com ele que o Paraná poderá voltar a jogar na Série A.

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