Anjos e deuses

A carta, assinada por Mário Celso Petraglia, que o Atlético publicou sobre o caso do Couto Pereira, nas entrelinhas trata o Coritiba como traidor. Com Petraglia no seu comando, o Atlético pode tratar o Coritiba de inadimplente ao contrato, desleal com o projeto de união, pode qualificá-lo de qualquer coisa, menos dar-lhe o tratamento de traidor.

Nem precisa recorrer a Nelson Rodrigues que certa vez escreveu que “só o inimigo não trai nunca”. Basta conhecer Petraglia. Para alcançar os seus objetivos é capaz de trair a si próprio. Não quero dizer que o Coritiba não errou – ao contrário, insisto: usando até da má-fé contratual, fez coincidir a mudança da grama com a obrigação de emprestar o Couto Pereira ao Atlético.

Pergunto: o Atlético, com Petraglia na sua ponta, é um contratante ao qual se deve confiar às cegas? Fosse o Coritiba o necessitado de um estádio, o Atlético não iria cedê-lo. Petraglia, às vezes, não cede para o próprio Atlético, mandando-o jogar em Vila Capanema.

Estava ao lado de Giovani Gionédis, em seu escritório, quando negou a Baixada para a final da Libertadores com o São Paulo em 2005: “Não empresto, quebram se perder, quebram se empatar e quebram se ganhar”. Petraglia pensa assim.

Atlético e Coritiba não são um reservatório de anjos e deuses.

Nervos

O treinador Eduardo Baptista parece um personagem dos filmes de Almodóvar. Sempre nervoso, não há entrevistas que não recuse uma opinião crítica sobre a atuação do Atlético. Se não é personagem de Almodóvar, as suas reações lembram uma criança mimada, que não aceita ser censurada.

Será que Baptista não tem consciência de que o time está jogando mal? O treinador busca defesa nas quatro vitórias consecutivas no Brasileiro, como se elas fossem produzidas por um jogo coordenado. À exceção da vitória sobre o Vitória, na Baixada, o time ganhou por casualidade.

Para fazer o Atlético jogar bem amanhã contra o Santos, na Vila, Baptista precisa tomar uma providência: ficar calmo para ganhar consciência de que até agora não conseguiu fazer o time jogar. Se tiver essa consciência, pode ser que o Furacão ganhe o jogo. Ao contrário do que pensa, está conseguindo deixar o time mais inseguro do que estava com Autuori, o que é para poucos.

Faço das palavras do goleiro Weverton o resumo de tudo: “Ninguém é besta. Não jogamos bem, não estamos jogando bem e acho que até aqui o ano estava sendo planejado de uma forma boa, mas nos aproximamos de fase decisiva e não estamos bem. Isso que nos preocupa. Temos que tirar lição disso que está acontecendo. Quarta-feira temos uma grande decisão. Já deixamos escapar uma e não podemos deixar passar outra”.

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