Já se tornou bem remoto o tempo de fazer das coincidências, fatos de esperança. O casuísmo já não cabe mais no futebol, ou o ?Anjo do Passado?, como me lembra o brilhante Dr. Fernando Paulino da Silva Wolff Filho, Juiz da 13.ª Vara Civel de Curitiba, já nasceu morto no futebol atual.
Os atleticanos buscam conforto para as duas derrotas contra a Ponte e Juventude, no campeonato de 2004, pois foram absorvidas pela excepcional campanha que quase levou o time ao bi brasileiro.
É um desconforto buscar esperanças nesta coincidência. E se não é por paixão, é uma busca que ignora a realidade. Em 2004, o Atlético tinha à disposição uma estrutura que apenas reclamava autoridade, que foi ganha com Levir Culpi e Rodolfo Mehl. De resto tinha quase tudo: Diego, Marinho, Fabiano, Alan Bahia, Jadson, Fernandinho, Dagoberto e Washington, que já compunham um grupo desde janeiro. Quando Dagoberto saiu, caiu do céu Dênis Marques. Criticamos Levir pela perda do título, mas não se pode lhe negar o mérito do excepcional trabalho diário de comando e de orientação, inclusive psicológica.
O fato que se busca na coincidência é um estimulante perigoso e proibido. Não se tem ainda o grande Dagoberto, produto do confuso tratamento que recebeu; foram embora Marinho, Fabiano, e principalmente Jádson e Washington, que jogando pelo time de 2004, foi recordista de gols de todos os tempos do Campeonato Brasileiro. Em menos de três meses dois técnicos fracos, seja por falta de experiência, seja por falta de autoridade, inclusive moral. O bom senso manda que Edinho seja demitido, não pelo que se falou, mas agora pelo que não faz e não sabe fazer. Em três meses, quarenta e cinco jogadores, sem qualidade, incapazes de compor um time sem desconfiança.
Isso é o resultado de se tornar refém dos mitos que se cria.