AnibalKhoury.Ceu@Petraglia. Baixada.com

Senhor Presidente:

Como ex-presidente, pai, avó e bisavô de atleticanos, preciso lhe falar. Em 1995, o Atlético estava quebrado, a torcida precisando de um salvador, e o senhor era diferente para o futebol. Tinha uma das chaves do cofre e o poder político.

As coisas mudaram. A imprensa investiga para denunciar. Aparelhada, agora não teme processos. O senhor entrou na clausura, parece ter medo.

Um dia desses, o CR Almeida, que por aqui fez amizade com os Kennedy, me apresentou o Bob, que sempre achei mais inteligente que o irmão. Dele ouvi o seguinte: “Não se pode mais viver com a supressão da individualidade, com o sentimento de que ninguém está ouvindo, que ninguém sabe de nada, e que ninguém vai saber de nada.”

Mas não é com o senhor que estou preocupado. É com o Atlético. Deixamos os Coxas serem tri, levantamos de ressaca e ainda temos que aguentar Marcinho e Bruno Mineiro, e a reconstrução da Baixada tomando um rumo perigoso. A sua presença à frente do processo inibe. Quer testar? Peça para o prefeito, candidato à reeleição, caminhar com o senhor na Boca Maldita. É que não se questionam mais as intenções dos homens. Hoje, bastam os homens.

Agora, leio na Folha de S. Paulo um relatório da Fifa que confirma o que o senhor nunca quis dizer aos atleticanos, mas só os ingênuos não sabiam: a Baixada está orçada em 262 milhões de reais, ou 131 milhões de dólares. Então, nós vamos pegar 120 milhões em papel a ter que ser resgatado em longo prazo, pagando deságio de mercado, e pagar 262 milhões em dinheiro com juros, que no saldo devedor, durante a carência para pagamento, naturalmente se capitalizam?

O mais grave, presidente, é que o mesmo relatório oficial da Fifa, diz que “falta expertise do clube para gerenciar a reforma”. Pergunto ao amigo Churchill, aqui do meu lado, que sempre foi meu guru, o que significa isso. Responde-me: incapacidade, falta de conhecimento. “Era assim que Roosevelt referia-se a De Gaulle”, completa o danado.

Desarme seu espírito, presidente. Reconheça que o caminho está perigoso, que é muito dinheiro envolvido e que a maior torcida do Paraná corre risco. Não queira forçar a história.

Anibal Khoury

P.S:
a coluna é inspirada em Elio Gaspari, o maior jornalista do Brasil.

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