Andando em círculos

Para quem é invulnerável em razão do exercício do poder, tudo é muito simples. Para a CBF, mais do que simples, é cômodo. Depois que um árbitro, que atua como seu preposto, traz prejuízo a um clube, basta afastá-lo. Pronto: terá cumprido o seu papel de agente fiscalizador.

Como consequência de arbitragens desajustadas, só da última rodada foram afastados três árbitros. E o fato conduz a uma conclusão: a culpa não pode ser atribuída isoladamente ao árbitro, mas ao sistema, que não o prepara.

E ainda mais: ao sistema que, monopolizando os interesses do futebol, usa o despreparado individual com consciência. Erros como os praticados contra o Atlético e o Vitória, que tiveram influência direta nos resultados, não ocorrem só por despreparo. Esse é o pretexto. O motivo, que importa, é outro.

O presidente Luiz Sallim Emed, do Atlético, falou: “Precisamos unir os clubes paranaenses”.

Santa ingenuidade! O que vai unir se o Atlético não tem prestigio por falta de conquistas nacionais; o Coritiba e o Londrina, estão penando na segunda divisão; e o Paraná, com a pior campanha de um time em todos os tempos no Brasileiro, está sendo rebaixado?

Prestígio e influência no futebol só são consolidados através de conquistas. As nossas, do Coritiba em 1985, e a do Atlético, em 2001, foram casuais, sem a intenção de ganhar na origem. O Coritiba há tempo está degringolado, às vezes parecendo em estado de decomposição. O Furacão baseia a sua vida na projeção de realizações materiais, nunca de vitórias no campo.

E, se não bastasse, é um criador de conflitos na defesa de seus direitos, e que nunca o levaram a lugar nenhum. Não se engane o torcedor: o fato de o Furacão brigar de forma intransigente contra a televisão e contra o sistema em geral, não o faz temido. E lhe digo mais: por nunca ganhar títulos, ou no mínimo jogar uma final, é o menor dos problemas para esse sistema. É o que escrevo e insisto: o Atlético anda em círculos, sempre acabando no mesmo lugar.

Concordo: esse fato não autoriza que uma derrota seja influenciada de forma direta pela arbitragem. Mas a falta de um histórico competitivo no campo colabora, concorrendo para o esvaziamento da própria e justa revolta.

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