Nunca um time foi capaz de em noventa minutos fazer o resumo dos seus onze meses de temporada. Pois o Atlético revelou ter essa capacidade, ontem na Vila Capanema, na goleada sofrida para o primário Figueirense, 4×1.
A última imagem que deixou foi rigorosamente igual à primeira: um futebol sem planejamento, um clube afastado de tudo e de todos, um time frio, desigual e desinteressado por lhe faltar cobranças sérias do comando, sem nenhuma revelação de base. Sem nada, absolutamente nada.
O mais grave é a naturalidade como tudo isso acontece e não é enfrentado. A gravidade não está no silêncio como omissão, mas no silêncio como proposição: Mário Celso Petraglia, não se expondo publicamente, alcança o seu propósito de não ter que dar explicações à torcida pelos fracassos do futebol. E a torcida bem manipulada pelo conforto da Arena, e por algumas vitórias por evento, se ilude achando que está tudo bem. É assim, em regra, que o senhor da coisa age, mesmo negando não ser possuidor.
Até quando o torcedor atleticano vai ser refém dessa situação, em que o futuro, há dez anos, é prometido sempre para amanhã.
O Atlético vai terminar o ano fugindo de si próprio. Uma temporada em que a regra foi o fracasso, sem disputar um único título, sem revelar, outra vez, um único jogador, e agora, com o seu calendário parecendo não ser o de 2007, mas de vinte anos atrás. Não me parece razoável mais conciliar as situações do que foi feito com a do que não faz.
Final de ano é uma boa época para falar com o povo.
O espírito natalino ajuda compreender e a se iludir de que tudo foi e será verdade, mesmo que a consciência final não acredite.
Vitória
O Paraná não venceu porque o São Caetano jogou já rebaixado para a segunda divisão, 2×0. Ou se esse fato colaborou, não tira o brilho da excepcional conduta do time de Caio Júnior. Disposto a ganhar, correu atrás do objetivo e por isso o alcançou.
Agora, o Paraná depende apenas de uma vitória na Vila contra o São Paulo. É o jogo mais importante da sua vida, pois além de poder classificá-lo para a Libertadores, irá pela primeira vez lhe proporcionar um projeto financeiro.
O jogo contra o São Paulo, mais do que três pontos, vale um, dois ou três milhões de reais.