Como repórter de rádio, passei metade da vida no meio de jogadores. Conhecia a alma de cada um. Era um tempo em que as verdades não eram mentidas. Bem por isso, as ilusões não eram vendidas.
Uma goleada em um jogo sem compromisso, contra um adversário semi amador, era desconsiderada como referência para qualquer conclusão séria.
As coisas mudaram. O jogador, embora continue tendo alma, passou a ser influenciado pela carga midiática. Para ele não interessa o que sente, mas o que os outros pensam. O próprio jogador já se convenceu de que não interessa o que o torcedor vê na televisão, mas o que o torcedor ouve do locutor. E no Brasil a mensagem de massa é ufanista. E isso acaba muitas vezes levando a equívocos.
O Brasil goleou por 4×0 o primitivo Panamá, no Serra Dourada. Visto sem o som da tevê e analisado com seriedade, o jogo serviu para mostrar que temos uma seleção dependente de um jogador, que é o seu único craque: Neymar. E escancarou verdades que Scolari estava com medo de ver: Oscar e Fred andam mal. Pelas circunstâncias do jogo, pelo adversário em especial, a conclusão é a de que o Brasil, também, no campo, não está pronto para a Copa do Mundo.
Crise
Quando eu passo um tempo sem escrever do Paraná, seus torcedores dizem que o desprezo. Não é verdade. Quando não escrevo é para poupá-lo de críticas.
Eis uma prova: se não bastasse o fracasso no campo, o clube tem que ser desgastado por uma discussão pública entre um jogador e um empresário, que manipula tudo no futebol. Quando uma instituição se submete a esse constrangimento, e em especial, a submissão a um empresário, é sinal de precisa ser esquecido.
A propósito, qual é a origem do dinheiro do empresário Amaral?