O presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia mandou anunciar a sociedade com a empresa Clear Channel, que desloca para os americanos a responsabilidade de projetar e executar a venda de ingressos para jogos, de comercializar publicidade, vender o nome da Arena, buscar outros parceiros para os mais diversos seguimentos. E avançando, anunciou o novo preço dos ingressos da cadeira popular, antiga arquibancada: trinta reais. Sem choro nem vela.
Para ser analisado com critério, o fato tem que ser decomposto: uma coisa é a parceria, a outra é o valor do ingresso.
O contrato, em tese, pode vir a ser interessante. A empresa americana é uma das melhores do mundo no segmento da venda de produtos e serviços esportivos. O marketing do clube, através da empresa Allkmarket procura há quase uma década um parceiro que ajude a bancá-lo e foi incapaz. Todo o negócio que fez até agora, se rendeu foram migalhas para o clube. O único bom negócio que fez foi esta parceria com os americanos. Bem resumido: contratou alguém para fazer o que foi incapaz.
O fato mais importante, embora negativo e traumático, não está na parceria, mas no preço dos ingressos. O sonho de Mário Celso Petráglia sempre foi eletizar o Atlético. Como a paixão do torcedor é resistente e irresistível, só encontrou uma maneira: taxá-la. Cópia fiel da Igreja na Inquisição, e agora dos grupos fundamentalistas, que cobram tributos em dinheiro ou com a vida. Para expor seu amor dentro da Arena, o torcedor atleticano terá que pagar trinta reais. No piso de baixo, de frente para o campo ou atrás das metas.
Há dois anos venho escrevendo que o Atlético virou clube de dono. Exerce-se o poder financeiro e político para querer calar-me, como fizeram com muitos Por dois ideais, estou enfrentando-o: pela liberdade de opinião e pelo Atlético.
Estou convencido de existe nada como o tempo. Ele trabalha apenas com a verdade. Pode parecer às vezes inerte, as vezes lento porque está cansado, pode até não ser percebido, mas a sua vitória sempre é inevitável.
As almas puras dos torcedores atleticanos foram outra vez golpeadas por interesses nunca bem explicados. O valor do preço dos ingressos na Arena lembra os preços da tarifa do transporte urbano de Curitiba. Ninguém sabe o que está por trás.
Será uma tragédia para o torcedor, pois é uma situação sem saída e sem escolhas. Deixa de ir a Arena ou pratica o endividamento para ver o time e satisfazer uma paixão explorada pelo mercantilismo.
Mas em tudo sempre se encontra um consolo: o Atlético, ainda, não foi posto à venda.