Sobreviver era o limite do Atlético, como é todo aquele que só tem amparo no sentimento do povo. Por isso preferiu viver no limite deste estado. Entre a vitória e a derrota, entre o reinício e o fim sobreviveu da alma e do instinto, até a certa altura da vida, quando o ideal enfraquecido, em desespero, pediu socorro.

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Era um domingo sem motivos imediatos para sair de casa, aquele de 1995. Era Páscoa, e o Atlético correndo contra mais uma crise, nada podia prometer naquele Atletiba do Couto Pereira. Dias antes, almoçara no ?Forninho? com o amigo Paulo César Carpegianni, treinador do Coritiba, que com uma dose salgada de ironia, sugeriu não ir ao jogo. ?Conselho de amigo.

Não vá?. disse Paulo César, com aquele seu longo sorriso de um décimo de segundo.

Mas a esperança foi mais forte do que o conselho e uma bênção divina empurrou-me para dentro do Couto Pereira. Quando senti, estava isolado à esquerda na social. Quando vi estava sendo uma das testemunhas do fato que mudou a vida do Atlético. Os coxas se divertiam fazendo gols. Fizeram cinco. Mal sabiam que cada gol provocava os sentimentos de um atleticano, que parecia frio e adormecido. Por isso, o quinto gol marcado por Brandão, foi uma bênção.

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Mário Celso Petraglia, eletrizado e incrédulo, cujas reservas transigentes de torcedor haviam sido esgotadas, foi embora levando a mágoa definitiva, que é preciso para despertar um herói.Nunca mais o Atlético foi o mesmo.

Com Petraglia, nascia um novo Atlético. Nascia um novo símbolo da opulência, da grandeza e da riqueza do futebol brasileiro. Exemplo de ideal de qualidade.

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Hoje, dez anos depois, Mario Celso Petraglia desafia um dos princípios que mais se combate nos países democráticos: o do mal que provoca a continuidade. Para o Atlético, a continuidade com Petraglia passou a ser uma imposição de vida.

Respondo a dois processos de Petraglia. Nunca lhe dediquei medo, não transigi em acordos ou fiquei ou silenciei por temor. Da mesma forma, que não usei entrelinhas para fazer críticas, sinto-me autorizado a filiar-me com transparência a essa unanimidade.

Ao contrário do que pode parecer por ser apenas a satisfação da formalidade de um fato consumado, o voto na eleição de hoje é relevante. É um ato que ao mesmo tempo em que homenageia Mário Celso, rende-lhe ainda mais responsabilidade.