Alegria

No futebol, a alegria que se segue à agonia, é o mais forte de todos. Há uma confusão de sentimentos: o resto do medo e a certeza de que a vitória está consumada. Só, então, é que vem a alegria como sentimento espontâneo, saudável e definitivo.

Quando o jogo de Porto Alegre, contra o Grêmio, terminou empatado (0 x 0) o atleticano estava esculhambado por dentro pela agonia. Só depois de organizar-se no seu interior, pode fazer uma orgia de alegria: o Furacão é finalista da Copa do Brasil. E não foi pelo casuísmo do atalho, ou da alienação à sorte de pegadas com pequenos. Para chegar, teve que escrever um histórico de vitórias contra Palmeiras, Internacional e Grêmio.

O jogo foi o jogo esperado, com o Atlético atrás incentivando o desespero do Grêmio. Não era jogo para o Furacão jogar bonito. Talvez, ele nem saiba. Era jogo para não sofrer gols, garantia o regulamento. E para isso, tinha que marcar desarmar e defender. É quando as circunstâncias exigem que o futebol deixe de ser uma arte.

No futebol, como na vida, nós conscientes ou não, temos um pouco de oportunistas. Se não sofrer gols era tão importante quanto a vitória, o Atlético não deveria arriscar. E aí surgiu a sua grande virtude para eliminar o Grêmio. Classificado, o jogo, em razão da técnica, das variações táticas e de todas as circunstâncias, foi remetido para um pé de página. A história é a solução final.

Quero terminar escrevendo sobre Luiz Alberto. Aos 36 anos, encostado no Boa Vista, do subúrbio do Rio de Janeiro, parecia contar os dias para encerrar a carreira. Ontem foi embora como o melhor em campo, como salvador ao tirar da linha do gol a bola de Barcos.

Agora é o Flamengo. Não será mais difícil do que foram Internacional e Grêmio.

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