Afundando

A vida do Coritiba está em ruínas. A perda dos seis pontos na Justiça Desportiva mais do que grave, é gravíssima. Já tinha escrito que uma coisa é ter seis pontos para ganhar e não ganhá-los; a outra é já tê-los conquistados e perdê-los sem jogar, repercutindo na queda para lanterna. Nesta hipótese para recuperá-los precisa ter um time sem suspeitas. E esse time não tem.

Quinze minutos do jogo no Couto Pereira bastaram para o São Paulo mostrar a fragilidade do Coritiba: fez dois a zero com Luís Fabiano e o excelente Gustavo Nery, perdeu outros e nem mesmo o gol de Jucemar serviu para afastar a idéia de que o jogo já estava resolvido.

Dirão que Aristizábal, Luís Mário, Tuta e Adriano não jogaram. É aí que o problema deixa de ser grave para se tornar gravíssimo: a exceção de Adriano, coincidência ou não, são jogadores veteranos com incursões freqüentes ao departamento médico. Sem reposição, o time é fraco. Se não jogar com todos os seus titulares por um bom tempo, não sairá do grupo de risco.

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O Atlético está indo pelo mesmo caminho. Entendo e até garanto que não irá perder os seis pontos. Mas tratando-se de uma justiça casuísta como é a do STJD, tudo é possível. Analiso sob outro aspecto, depois que vi o resumo do empate sem gols de Campinas: perdendo ou não os seis pontos no STJD, a situação do Atlético continuará delicada. Não existe nada pior do que o Guarani neste campeonato. O time de Levir dominou, criou chances e foi incapaz de chutar uma bola em gol. E mesmo assim só não perdeu porque o excelente goleiro Cleber pegou o chute de Viola. Não sei se Diego o pegaria.

Levir precisa deixar de ser patronal ao dizer que não precisa de reforços. Precisa e dos bons. Ir contra essa verdade é ir contra o Atlético e contra a si próprio.

Vitorioso

O Paraná roubou a cena. Dos paranaenses é o melhor. E não é por resultados de ocasião: venceu o Santos, vice-campeão do Brasil, o Flamengo, campeão carioca e o Cruzeiro, campeão do Brasil. As goleadas sofridas fora, foram completamente absorvidas pelas vitórias no Pinheirão. A de sábado contra o Cruzeiro (2×0) foi espetacular, na medida em que em nenhum momento foi inferior aquele que dizem ser o melhor time do Brasil.

Mas que é tudo inusitado é. Tanto que só me lembro do nome de três jogadores: o goleiro Flávio, o zagueiro Fernando Lombardi e o avante Galvão. O nome do próprio técnico às vezes confundo: sei que é Paulo Campos, mas às vezes penso que é Flávio Campos.

Nelson Rodrigues escreveu que o ideal de um time, às vezes, é ser esquecido e ser negado da cabeça aos sapatos.

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