Não é nada fácil a vida do Paraná. Veja você, o Tricolor está invicto há oito jogos, só ganha há seis jogos, está em quarto lugar e, se ganhar hoje do Palmeiras, pode terminar a semana como segundo do Campeonato Brasileiro. No entanto, há quem desconfie desses antecedentes provocando uma questão, que usa uma condição afirmativa: contra o Palmeiras, o Paraná terá o grande desafio de afirmação.
Se for assim e, maldosamente é assim, é pura discriminação: a afirmação de um time no Campeonato Brasileiro depende de seu passado histórico. Se já foi campeão ou se tem tradição nacional, em um jogo nas condições deste do Parque Antártica, disputaria a liderança com poder de disputar o título; mas, como é o Paraná e seria assim outro que a vitória seqüencial é tida mais como exceção do que regra, precisa se afirmar. De repente, o Paraná ganha e vai para o outro jogo como segundo. E, aí, terá que se firmar como vice-líder. O grande Nelson Rodrigues, que escreveu certa vez que era bom considerar sempre o Fluminense um timinho.
Volta
Ambientar em festa a volta de Dagoberto ao Atlético, amanhã contra o Flamengo, é no mínimo falta de bom senso. Aliás, Dagoberto é mesmo uma figura inusitada: é mais famoso pelo que nunca jogou, do que pelo que eventualmente tenha jogado. Não conheço na história do futebol recente, nenhum jogador com o custo financeiro e moral a um clube, como o de Dagoberto ao Atlético. Não tenho nenhuma dúvida, que se a volta de Dagoberto interessasse só ao Atlético, ela nunca ocorreria.
Mas, os mais diversos interesses provocam essa paga, e fazem o grande clube pagar a conta moral. Aliás, surpreende-me que uma mensagem comercial do Atlético, cite o nome de Dagoberto para exaltar as escolinhas do clube. Não é um bom exemplo. A torcida do Atlético que trate Dagoberto como um jogador sob suspeita. Pelo constrangimento, que ele submeteu o Atlético como instituição, tem que ser tratado como profissional cuja bandeira é o dinheiro. Se tiver um jogador sem direito ao erro, amanhã na Arena, esse é Dagoberto. Ele propôs esse tipo de jogo, correu o risco, e agora tem que jogá-lo.