Na Arena cheia por 40 mil torcedores, porque cada um levou o corpo e a alma, o Atlético foi monumental em um jogo que nem a morte terá poder de apagar da memória. Venceu o poderoso Corinthians por três a um, jogando tão bem, que mais do que querer vencer, parecia querer armar o cenário definitivo para o bi.

As vitórias inesquecíveis são as vitórias que se conquistam em jogos de carga emocional que provocam e fazem se mover todos os sentimentos. São as vitórias que exigem resignação, tática, talento, e o valor interior que se atende pelo nome de ideal. Não é fácil conquistá-las e por isso é impossível esquecê-las.

O Atlético teve todas estas virtudes em grandes proporções. Resignou-se para buscar a correção dos erros do primeiro tempo. A marcação que estava atrás, no segundo foi adiantada, repercutindo no avanço de Fernandinho e Ivan pelos lados. acabando com o isolamento de Jádson.

Afogou o Corinthians e daí foi à busca do desequilíbrio pela exceção do talento para decidir com a bola parada, como Jádson fez no segundo gol, o mais importante. Jádson é um jogador especial, porque antecipa a emoção do gol no chute de bola parada. Às vezes a emoção antecede ao próprio gol, e se esvazia, porque seu talento para a execução da jogada torna-o previsível.

E finalmente o ideal apareceu, em forma de matéria por Washington, no corolário que foi a sua arrancada no último minuto com velocidade e com dribles, seguido do seu gol de pênalti. Nesta altura do jogo, com os nervos já em pedaços, só mesmo Washington para mostrar que ainda podemos acreditar no ideal.

Voltei a sofrer. Estou feliz. Deus guarde o Atlético.

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