Em seis meses, o Atlético de Petraglia,querendo enganar pelo populismo, próprio do seu presidente, carregou vários adjetivos: o de revolucionário, seguido imediatamente do de anárquico, que disfarçavam uma renovação com uma geração sem qualidade, utilizando-se da pirotecnia de Juan Ramon Carrasco. Também se vendeu como moderno, porque voltaria a jogar ao estilo brasileiro, aproveitando-se de um livro de teorias ultrapassadas de Ricardo Dubriscky. Seriam adjetivos razoáveis em razão de que a literatura que a crônica esportiva cria diariamente não precisa respeitar limites.
Mas nunca iria se imaginar que Jorginho fosse atribuir ao Atlético de Petraglia um adjetivo inusitado, com jeito espetacular: o de fedido. “O Atlético é um time fedido”, disse o novo treinador, após o empate sem gols contra o Bragantino, em Paranaguá. O adjetivo atribuído ao time por Jorginho não pode ser amenizado com eufemismo, não deve ser rubricado como força de expressão, nem ser interpretado. Cola-se do MICHAELIS Moderno Dicionário da Língua Portuguesa: Fedido é um adjetivo de origem francesa (part. de feder) e que significa malcheiroso, fedorento, fétido.
Pode parecer que o treinador tenha usado uma linguagem grosseira, que lhe tornou indelicado. Mas foi feliz ao socorrer-se desse adjetivo para definir o time de Petraglia. E mesmo que tenha querido imprimir outro sentido, deu o enquadramento correto ao time que está se usando para enganar a torcida.
Quando se tinha como impossível ser pior do que estava, conseguiu. E Jorginho colaborou, pois qualquer acadêmico não precisaria mais do que 10 minutos para concluir que seria impossível ganhar com três zagueiros e dois volantes, tendo juntado Gabriel Marques, Bruno Costa, Alan Bahia e Foguinho durante 90 minutos.
O mais grave é que, enquanto a torcida do Atlético é sufocada por esse ar “fedido”, Petraglia respira a fragrância do “Prada”, e toma sol no verão norte-americano.