O consolo para a eliminação da Copa do Mundo, ontem, no Mineirão, já estava acomodado em todos os brasileiros: a ausência de Neymar e Thiago Silva e uma derrota para a poderosa Alemanha, naturalmente encampada pela lógica. Mas ao perder por 7×1, com cinco gols em trinta minutos, o Brasil, de Felipão, subtraiu do brasileiro até o direito de chorar e ser consolado. O Brasil, de Felipão, conseguiu apagar a marca do Maracanazo de 1950. A marca que imprimiu no sentimento da nova geração de brasileiros, ontem, no Mineirão, foi tão profunda, que talvez seja eterna.

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Não houve jogo. O que houve foi uma exibição portentosa pelos alemães, da sociedade entre a disciplina tática e a individualidade. Já há tempos vivemos em equívoco, descartando a razão como pressuposto fundamental do futebol. Recorremos ao romantismo da paixão ditada pelas histórias do passado. Desprezamos que a razão está no conjunto das virtudes individuais coordenadas por um projeto de jogo que sempre tem que obedecer uma evolução. A Alemanha é o exemplo da razão. É o Brasil de 1970, sem precisar de ter Pelé, Gerson e Tostão.

A derrota do Mineirão analisada sem patriotismo não permite que qualquer argumento tático se sobreponha a dura lição, que os brasileiros sabiam que estava escrita, mas não queriam aprendê-la para evitar a dura verdade: não produzimos mais os melhores jogadores. Desde o fim da geração de Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Roberto Carlos, em 2002, revelamos apenas um grande atacante (Neymar) e dois excepcionais zagueiros (David Luiz e Thiago Silva).

Não renovamos treinadores e os novos já surgem com os vícios do passado. Os velhos professores, dos quais Felipão é o mestre, mantiveram o monopólio do futebol de marcação pelo físico, preso à defesa e picado pela “falta tática”, beneficiando-se da omissão da arbitragem brasileira.

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A derrota foi dura e humilhante. Mas, talvez, porque a derrota era possível e quase previsível, não bastava apenas perder. Era preciso um fato extraordinário para o Brasil ganhar consciência de que a verdade estava escondida.