A curiosidade me empurrou para dentro de uma livraria para ter o “Guia Politicamente Incorreto do Futebol”, dos jornalistas Leonardo Mendes Júnior (Gazeta do Povo) e Jones Rossi (RPC). Entrei para comprar um livro sobre um assunto comum que é o futebol, e agora lendo, estou batendo com uma obra.
A literatura brasileira sobre futebol sempre foi pobre, limitando-se à coleção de dados históricos e biografias. As exceções apanham “O negro no futebol”, de Mário Filho; a “Estrela Solitária”, em que Ruy Castro faz um romance da história de Garrincha e, o pouco popular “Com Brasileiro, não há quem possa”, a soberba tese de mestrado da socióloga da USP Fátima Martin Rodrigues Ferreira Antunes.
Nossa literatura deu um salto com “O Drible”, de Sérgio Rodrigues, em que o futebol é o tema de fundo de uma história entre pai e filho. O “Guia” de Mendes Júnior e Rossi dá dois saltos. Embora o futebol seja o tema em seu estado bruto, afasta-se da regra de rotina, tende a cair no campo da exceção.
Enfrentando temas que a memória do povo brasileiro arquivou como verdades absolutas, e que os contos apaixonados transformaram em mitos e lendas, provocam a possibilidade de sua desconstrução. Não sei se foi essa a intenção, depende do sentimento do leitor. Cito um exemplo: as virtudes e os defeitos da Seleção Brasileira de 1982 são expostos de uma forma tão soberba e com um fundo real jamais usado, que me nego a reler. Corro o risco de me convencer de que não foi o Brasil por quem até hoje eu choro. E o Brasil de 1982 é uma das ilusões que eu quero guardar até o fim da vida.
Leonardo Mendes Júnior e Jones Rossi trabalham aqui, em Curitiba. Esse fato, para mim, dobra o valor da obra. É que temos o costume de não dar o exato valor para quem está bem próximo de nós.
De primeira
Amanhã eu escrevo sobre o evento-teste da Baixada.