Adeus às armas

A amizade entre o presidente do Atlético Petraglia e o presidente do Coritiba Bacellar já se pode dizer está ficando, digamos, colorida. No bom sentido, é claro. Eles se deixam fotografar juntos e abraçados, se deixam flagrar em movimentos que parecem um juramento de união e fidelidade eterna. Não conseguem disfarçar e nem tornar secreta (e talvez nem queiram) essa afinidade.

Lembrei-me de um provérbio árabe que diz que amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito, e mesmo assim, ainda gosta de você. Pergunto: há sinceridade nessa relação entre Petraglia e Bacellar, enquanto presidentes dos históricos rivais?

Desculpem, mas desconfio que existem interesses escondidos. De Petraglia, não tenho dúvida. Resta saber se de Bacellar. É certo que dos coxas o Atlético não precisa: tem um dos estádios mais completos do futebol mundial, tem uma estrutura gerencial e administrativa que é exemplo para o Brasil, tem certidões negativas dos fiscos para contratar com qualquer agente público, tem a maior torcida do Paraná, tem o Centro de Treinamentos mais aparelhado do Brasil. Enfim, o Furacão é um luxo.

Ao contrário, é fato notório que o Coritiba hoje só não escancara mais os seus problemas em razão da sua força popular. Seu estádio há tempo precisa de uma recuperação que lhe exigiria 200 milhões, com dívidas vencidas sem poder pagar, não consegue sequer ter diálogo com bancos estatais para ter patrocínio, não consegue executar o projeto de um novo Centro de Treinamentos, entre outros problemas.

Então a pergunta é: o que o Coritiba, agora, pode somar para o Atlético?

Lembrei-me do saudoso e querido Munir Calluf. Em 1967, o Atlético foi rebaixado para a segunda divisão do Estadual. Era um drama. Jofre Cabral, que fora eleito presidente do Atlético, pediu a solidariedade do Coritiba para rasgar o regulamento e deixar o Furacão na 1ª Divisão. Evangelino concordou, mas quis ouvir a sua diretoria. Quando chegou a sua vez de opinar, Munir disse uma frase que ficou histórica: “A cobra está quase morta. Vamos pisar no pescoço e acabar de matá-la para ela não nos comer depois”. Evangelino fez o Coritiba solidário ao Atlético, que foi voltou a viver intensamente, e hoje é um dos maiores do Brasil.

Estou terminando de reler Adeus às Armas, um romance autobiográfico de Ernest Hemingway. Ao concluir que não existe amor eterno, escreve: “Se duas pessoas se amam uma à outra, não pode haver final feliz.”

Essa relação entre Petraglia e Bacellar, ainda, vai dar no que falar.

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