Provocam-me para uma questão: e se o Atlético perdesse o campeonato, o que aconteceria? A pergunta foi mal posta. Correta é: e se o Atlético, por acaso, perdesse o campeonato o que aconteceria? A condição surge porque a perda só ocorreria com a intervenção do acaso. É que a hipótese, em um jogo normal de dois times que se equilibram, é tão remota que entra na conta do imponderável. Coisas remotas que dependem do acaso, não autorizam resposta.

continua após a publicidade

Mas pensando bem e nos números, é uma questão que intriga. Para perder o título, agora usando o verbo no presente, o Atlético terá que perder por uma diferença de três gols e perder nos pênaltis. Sem pênaltis, perder com uma diferença de quatro gols. A pergunta teria que ser dirigida ao treinador Paulo Autuori e aos jogadores do Furacão.

O que responderiam?

Veja só o que é uma diferença de três gols entre rivais históricos. Torna-se tão extravagante, provoca hipóteses, que para os atleticanos, às vesperas do jogo, constituem absurdos. Mas não se engane. Embora não admitam, Autuori e os jogadores em algum momento devem ter pensado que o acaso, de vez em quando, resolve trabalhar. Se não pensaram, deveriam pensar, pois reforçariam a consciência de que se a obrigação de ganhar o título era relativa em uma disputa com o Coritiba, agora se tornou absoluta. Para um time que entra com a vantagem de perder até de dois a zero, não tem volta. Nem pelo acaso.

continua após a publicidade

Lutador

Fora de campo, o treinador Gilson Kleina conseguiu fazer o Coritiba sobreviver com frases feitas: “Vamos dar o sangue”, “O xeque-mate ainda não aconteceu”. Embora da nova geração, Kleina usa um discurso antigo, que influi muito mais no ambiente do jogo, do que o jogo em si.

continua após a publicidade

Está absolutamente correto. É o contraponto do pessimismo que está dominando alguns jogadores e a própria torcida.
Resta saber, se dentro de campo Gilson Kleina vai sobreviver.