Bem lá atrás, o mundo se fascinava com Greta Garbo, uma atriz de cinema cheia de talento. Greta carregava tanto mistério, que o dramaturgo brasileiro Fernando Mello, em 1973, fez uma versão tupiniquim de sua vida. Escreveu uma comédia, na qual Pedro, um enfermeiro, querendo ser a diva sueca e viver uma vida de luxo, fracassou. E de tantas desilusões foi acabar no subúrbio de Irajá, do Rio de Janeiro. O nome tornou-se um eufemismo, uma forma amena de referência ao fracasso: “Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá”.

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Comparação

Lembrei dessa comédia da minha juventude, assistindo à eliminação do Atlético da Copa Sul-Americana. Foi em Luque, uma espécie de subúrbio de Assunção. Foi contra o Sportivo Luqueño, um time de terceira categoria, que está em penúltimo lugar no campeonato paraguaio. Luqueño: 2×0.

Mário Celso Petraglia me lembrou o Pedro da comédia. Quis uma espécie de Greta Garbo do futebol e foi escrever o último capítulo da sua biografia como presidente do Furacão em Luque. A comédia rubro-negra já tem nome: “Petraglia, quem diria, acabou em Luque”. Só que ao invés de fazer sorrir, a comédia escrita, dirigida, produzida e encenada pelo presidente atleticano está fazendo a torcida recolher-se, humilhada.

O fracasso de Luque foi a última prestação da fatura que o Atlético teve que pagar. Antes foi o fracasso no Estadual, que o obrigou a disputar um torneio para não ser rebaixado. Imediatamente depois, a eliminação da Copa do Brasil pelo Tupi, time de quarta divisão. Seguiu-se o trauma de lutar contra o rebaixamento no Brasileiro. Agora, como cena final, o enterro da promessa de ganhar a Sul-Americana contra um time que no Brasil seria semiamador.

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O valor da fatura é exatamente proporcional à irresponsabilidade de um comando que mudou quatro técnicos em dez meses, utilizando mais de 60 jogadores.

Deve ser melancólico, depois de vinte anos, escrever o último capítulo da biografia com um fracasso em Luque, um puxadinho de Assunção. “É de bom tamanho, nem largo, nem fundo. É a parte que te cabe deste latifúndio”, escreveria João Cabral de Mello.

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