A volta

No final de Cidadão Kane, o maior filme da história do cinema, Orson Welles pergunta: o que é o homem, afinal? Um pouco mais tarde, sem querer responder a Welles, o poeta argentino José Luiz Borges acertou: um caos de aparências.

Mas a resposta de Borges não alcança todos os homens. Existem alguns que eternizam a sua aparência, tornando-a única porque ela marca tanto o povo, que nem o tempo é capaz de mudá-la.

Seis anos depois, e já passando dos trinta, mais parecendo saudoso do que cansado pela roda da vida, que lhe foi generosa, ei-lo de volta: a camisa rubro-negra folgada no corpo magro, a velocidade trocada pela posição perfeita, e a vocação incorrigível para fazer gols pelo Atlético.

Ei-lo de volta: Alex Mineiro, o herói.

Mais do que um jogo de futebol, o jogo de sábado na Arena foi um encontro com a saudade, um jogo de resgate das mais nobres lembranças que a história do Atlético é capaz de contar.

Não houve quem não se emocionasse quando ele entrou em campo com a camisa cuja estrela amarela do ouro foi bordada pelos seus oito gols nas finais do título brasileiro de 2001. Entre os homens que mudaram o curso de uma história, está Alex Mineiro.

Na volta, mesmo seis anos depois, os atleticanos viram Alex e deram conta de que ?é um sopro a vida, que 20 anos não é nada?, como diz a poesia em tanto de Carlos Gardel. Seis anos se passaram, mas nada mudou.

Nada muda quando a obra de um herói se transforma em lembrança, que se infiltra no coração de um povo, que a guarda para a eternidade.

E como se precisasse, no retorno, Alex fez dois gols.

***

Vitória

A vitória do Coritiba – 3×2 – foi justa não por ser melhor que os reservas do Paraná, mas porque jogou melhor.

Pela primeira vez vi os jovens coxas. Gostei de Pedro Ken.

Keirrison está bem longe do natural, e Marlos é mais um desses armandinho, que tenta impressionar com a perna esquerda.

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