Quando se trata do direito de propriedade a justiça não é piedosa. Para fazer prevalecê-lo, às vezes, parece até desumana. Mas se não fosse assim, não teremos ordem jurídica e social. O Paraná não tem nenhuma chance de manter a posse de Vila Capanema. A perda teria um clima de tragédia grega, em que se combinam o grandioso (a história da Vila) com o funesto (a morte).
Pode até demorar mais um pouco, ganhar mais um tempo (e já não será muito), a reintegração na posse pela proprietária será inevitável. Buscar esperanças em um voto isolado, ou em eventual recurso aos tribunais superiores, é continuar se iludindo.
Partindo da verdade que a perda Vila Capanema terá significado prático de perda de identidade, que não terá retorno com a Vila Olímpica, o Paraná precisa ganhar consciência de um fato: com a perda da relevância do aspecto jurídico, o caso definitivamente tem que ser remetido para as relações pessoais. Mas é preciso uma ação afirmativa, atitudes audazes, que acabem com simbolismos.
É o momento de tricolores, que por algum motivo na execução da vida ganharam importância dentro de diversos segmentos da sociedade, como Renato Trombini, Luiz Carlos Marinoni, Darcy Pianna e Carlos Werner assumirem a busca da solução, não como obrigação, mas para mostrar a força pessoal dos tricolores. Há momentos na vida, que o princípio de que todos são iguais é uma mentira. São nesses momentos, como os que o Paraná vive, que se apresentam as diferenças entre os homens. Pergunte: se fosse a Baixada ou o Couto Pereira, Atlético e Coritiba perderiam? Quando o homem quer, principalmente motivado pelo ideal, consegue.
Até agora, na esfera administrativa, só atuaram amadores, provocando ilusão, perda de tempo e desesperança. O que o Paraná não pode é permitir que se especulem soluções improváveis, principalmente as de natureza política, todas elas parolagens, pois o caso, agora, é só entre particulares.