Hoje deveria ser feriado no Brasil. E, cada brasileiro, teria que ter a obrigação cívica de ler ou reler uma crônica de Nelson Rodrigues. Hoje, dia 23 de agosto de 2012, Nelson estaria fazendo 100 anos de idade. A sua obra de dramaturgo imprimida nos contos de “A vida como ela é”, transportada para o teatro, sempre centrada nos recursos do erótico e do obsceno, ficou eterna com as crônicas sobre futebol.
Embora irônicas e críticas, tinha um conteúdo de drama. Sua concepção sobre futebol era perfeita: “Certo e brilhante confrade dizia-me ontem que futebol é a bola. Não há juízo mais inexato, mais utópico, mais irrealístico. O colega esvazia o futebol como um pneu, e repito: retira do futebol tudo o que ele tem de misterioso e patético. Eu diria ao ilustre confrade: em futebol, o pior cego é o que só vê a bola. Se o jogo fosse só a bola, está certo. Mas há o ser humano por trás da bola, e digo mais: a bola é um reles, um ínfimo, um ridículo detalhe. O que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão”.
Nelson era crítico de radialistas e jornalistas esportivos.
Para ele o papel da imprensa não poderia ter limites. E completava: “O jogo em si vale pouca coisa. O futebol não se traduz em termos técnicos e táticos. O jornalista tem que dramatizar o evento, retirar dele o máximo possível”.
E, então, escreveu a frase que o eternizou como jornalista esportivo. Acreditando no Brasil de 1958, na Suécia, mas cansado do pessimismo do torcedor, escreveu: “Temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”, que é a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”.
Como é fácil escrever sobre Nelson Rodrigues.
É que ele já deixou tudo escrito.
Basta copiar.