A resposta de Alex

O Coritiba estaria disposto a pagar até 120 mil reais por mês e parcelar o seu crédito trabalhista próximo a 3 milhões de reais para Alex comandar o futebol. Essa questão financeira, embora sempre seja importante, não tem o poder de resolver uma outra, talvez, a imediata e por isso mais relevante: há sinceridade neste convite para Alex? Quero dizer o que eu sinto, não por ouvir falar, mas por conhecer os bastidores do futebol e a intenção dos dirigentes.

Para responder é preciso descrever como se ambientou o convite: dirigentes e Alex se encontraram em Brasilia para a votação da MP do Futebol. E daí Bacellar e Macias informalmente formularam o convite sabendo que Alex pediria prazo para pensar. Se há sinceridade, se realmente os dirigentes querem, é para um único objetivo: busca uma proteção pública, e no final ter um bode famoso e idolatrado para expiar os seus erros que estão empoçando e levando o clube para a segunda divisão.

Se não é isso, qual é a razão de querer Alex no comando do futebol, se publicamente, e com razão, ele já censurou a diretoria pela péssima administração do futebol? É possível afirmar que, para aceitar, Alex irá impor condições, e essas nunca poderão contrariar as suas posições pessoais já expostas publicamente, e que censuram a diretoria. Do contrário, seria incoerente, defeito que não mostrou ter. Para assumir, vai querer saber as razões pelas quais o seu amigo Ricardo Guerra, renunciou o cargo. Sabendo não poderá aceitar. Não pela amizade com Guerra, mas, pelo principio que sempre adotou para viver que está na ética.

Se houve sinceridade no convite, faltou inteligência para os seus portadores: Alex não é a pessoa adequada nesse momento para intervir no futebol do clube. Sobra-lhe capacidade, mas falta-lhe oportunidade. Oportunidade não no sentido de lugar, mas de ocasião, que é o momento certo para bater de frente com um sistema viciado, formado por pessoas (jogadores, inclusive), que um dia desses estavam na sua companhia profissional. O sistema a ser atacado é o que derrubou Guerra e Pedroso, e que está tramando a queda do presidente Bacellar. Se Bacellar quer Alex, primeiro tem que fazer uma limpeza no clube, começando por gente que está ao seu lado. E, aí, sim, poderá chamar o ídolo para executar um projeto sadio.

Não falo com Alex já há muito tempo. Mas conhecendo-o como o conheço é mínimo o risco de apostar na sua resposta: não. E será melhor, também, para o Coritiba.

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