Há quem questione esta minha tranqüilidade abnegada em relação ao senhor Onaireves Rolim de Moura, que ontem saiu mais uma vez da cadeia, e voltou para a presidência da Federação Paranaense de Futebol.
Existem duas relações a serem analisadas: uma de Moura com a Justiça; a outra de Moura com o futebol. A primeira, em tese, está absolutamente normal: Moura acusado de vários crimes foi preso para não influir na instrução da ação criminal. Pelo habeas corpus foi-lhe concedido o direito de responder em liberdade. Se não existe uma sentença condenatória e irrecorrível, por que seria Moura o único a ficar na cadeia? No estado atual de Brasília, Moura seria um anjo da guarda.
O fundamentalmente grave é a relação de Moura com o futebol. A partir dos desconfortos que provoca, atrela-se ao futebol a sua imagem deformada. Moura com a consciência voluntária, que deveria sair, insiste em continuar. Mas, já não tem mais a culpa que se lhe atribui. O mais simples movimento dos clubes e ligas seria o bastante para afastá-lo definitivamente da FPF. Por exemplo, quem deveria assumir uma postura para impor o respeito, a ética, omitiu-se nos mais primários atos de relação entre associações e entidades, que é o caso da prestação de contas. Só Atlético e os amadores Nacional do Boqueirão e River, demonstrando transparência de conduta, não a aprovaram. Não foi um comum e simples ato de reprovação, mas uma contrariedade ao sistema. Como se aprovaria uma prestação de contas apresentada na hora por quem que estava em lugar certo e bem sabido. Foram os únicos que saíram ilesos da crise.
O mais grave é que o movimento omissivo não é em respeito a Moura, mas é por medo a Moura. Por que ele provoca tanto temor? Coritiba e Paraná, que se dizem grandes, que respondam. Por isso, não se surpreendam com minha conclusão: Moura deve continuar. Deve ser absoluto. Deve ser eterno.
A exceção de Atlético, Nacional e River, todos o merecem.
Salve Moura!