Não sei se com o tempo, os nossos sentimentos vão se tornando menos sensíveis. Pensei assim, como uma maneira para poder me explicar a naturalidade com que absorvi essa nova derrota do Atlético para os coxas. Não faz muito tempo não era assim. Uma derrota como essa batia fundo no coração, provocando uma descompensação emocional que, às vezes, por um motivo qualquer se confundia com o sentimento de perda.
Mas, agora, pensando bem (ou sentindo bem, sei lá) afirmo que não se trata de sentimento maduro, por um motivo bem grave: falta ao Atlético o atleticanismo, que nascia do ideal, que transformava o clube em um valor de vida. Por não ter mais ideal, não tem mais atleticanismo.
A construção desse novo Atlético teve um grave equívoco: entendeu que o futebol é construído só com pedra e cimento, não precisando da alma. Em razão dessa posição, impregnou-se no Furacão a cultura de negócios. Bem por isso, dentro do Atlético, não há mais sentimentos a serem consolados por uma derrota. O fracasso de campo não altera a vida profissional de ninguém: todos os dirigentes remunerados, direta ou indiretamente, não são atingidos, porque o sistema criado não depende de vitórias. O sistema beneficia quem está dentro do Atlético, mas não quem está na arquibancada.
E essa verdade foi descoberta pelos jogadores.
Problemas
Ninguém investigou o que Paulo Autuori quis dizer que o CT do Caju está “com problemas internos”. Um dos problemas, talvez, o mais grave, é falta de pagamento regular de algum tipo de remuneração. Embora todos saibam que o Furacão paga, ninguém gosta de esperar. O outro é que a presença do gerente de futebol Paulo Carneiro constrange os jogadores quando estão conversando. Outros problemas, embora menores, se juntam aos grandes e deterioram o ambiente. Os jogadores não acreditam no presidente Sallim, nos dirigentes Carneiro e Lara, só acreditam por obrigação em Petraglia, que não tem mais frequência regular.
De primeira
Estou procurando a notícia completa. Se o Coritiba perdesse o Atletiba, um grupo de coxas iria pedir formalmente a renúncia do presidente Bacellar, sob o argumento que o clube “está abandonado”. A reunião ocorreu na sexta-feira. Ocorre que o Coritiba ganhou e todos ficaram quietos.