O Furacão não consegue ganhar. Bem pior: um empate sem gols, na Baixada, com o J. Malucelli já lhe cai como uma bênção. Dominado técnica e taticamente, levou bolas nas costas, pelo meio e na trave. Provou não ter nenhum preparo individual, porque a base é medíocre; físico, porque sem um comando profissional capaz, saiu a excursionar sem nenhum projeto de preparação séria; e, tático porque seu técnico não tem capacidade de ver, criar e orientar.

continua após a publicidade

A torcida do Atlético anda saindo de joelhos da Baixada pedindo por um time. Mal sabe ela que pedir de joelhos é muito pouco, parece ser um gesto de soberba. O onipotente Petraglia, ídolo e manipulador dos medíocres, lá do seu camarote, exige mais: quer que a torcida do Furacão sangre o corpo rastejando para beijar-lhe os pés.

Este jogo criou um símbolo do atual estado de decomposição técnica, tática, financeira e de orgulho do Atlético. Quando precisava de um jogador para diminuir o domínio do Jotinha, equilibrar o jogo para ganhá-lo entrou Nikão. E Nikão passou a ser a referência de todas as jogadas: era Nikão que batia falta, era Nikão que batia escanteio, era Nikão que recebia para dar o último lançamento, era Nikão que chutava a gol. E Nikão, coitado, mal conseguia carregar a sua abundância traseira.

A insensibilidade de Petraglia, própria dos caudilhos, é exteriorizada em forma de brutalidade, que agride e provoca danos nos sentimentos atleticanos. Petraglia pratica contra os atleticanos, o que a sociedade brasileira está atribuindo ao governo Dilma Rousseff: estelionato eleitoral, com caráter esportivo. Prometeu o céu para voltar à presidência e construir a Baixada, prometeu retribuir com um grande time e com conquistas o dinheiro do sócio. A torcida enriqueceu pessoas na construção da Baixada, e agora é paga com Paulinho Dias, Nikão, Daniel Borges, Bady, Edigar Junio, nunca esquecendo que um indiano está sendo preparado como nova atração. Já escrevi aqui: Petraglia tem que ser tratado como um executivo de futebol. Ele não trabalha de graça pelo Atlético. A diferença entre ele, o massagista, o treinador, os jogadores e o porteiro tornou-se apenas a hierarquia. Da mesma forma que se exigem vitórias do treinador e dos jogadores, sob pena de dispensa, tem que se exigir de Petraglia.

continua após a publicidade

A torcida não pode mais acreditar no novo balão de ensaio, que é o teto retrátil. É muito bonito, é comovente, até. Mas fechar estádio e deixar a torcida sem luz natural e ar puro para ver Nikão como a última esperança de um jogo, é transformar a Baixada numa câmara de gás.