A entrevista

A entrevista de Mário Celso Petraglia à ESPN Brasil não me impressionou. As suas respostas foram limitadas às mesmas que já se transformaram em clichês para quem o conhece. Como é culto e tem boa oratória, torna-se provocativo aos estranhos. Mas para quem o conhece, as orações são cansativas; às vezes, melancólicas.

Mas não sejamos injustos em analisar pelos olhos e não pela razão. Todas as respostas de Mario Celso, à exceção da que se apresenta como vítima da imprensa, carregam uma boa dose de razão. No conflito pelos direitos de televisão e no esgotamento do modelo associativo dos clubes do futebol brasileiro, que os obriga a adotar a natureza de sociedade empresarial, a sua razão é absoluta.

Mas há razões que são esgotadas pelo próprio Petraglia. A insistência de se apresentar como honesto, às vezes pode ser confundida com uma insegurança pessoal. Se é honesto, por que essa preocupação de afirmar o fato?

Outra questão que me chamou a atenção foi o fato de afirmar que pretende transformar o Athletico em sociedade anônima, com os benefícios atuais das instituições associativas. Se mudar a lei, não só deve como tem. E pela afirmação de que está sobrando dinheiro, um aporte de 1,5 bilhão de reais, não será desprezível.

Mas a questão, vista assim, é tese, porque a mudança é condicionada à alteração da lei. Então pergunto: e se a lei não mudar, o que será do Athletico? O que Petraglia não pode negar é que o Furacão parece ser um “pequeno Brasil”, que virou um cabide de empregos, constrói um estádio, hipoteca e penhora todo o seu patrimônio, e espera a boa vontade legislativa para salvar a vida.

Responda aí, Mário Celso Petraglia: o que será do Athletico se a lei não mudar?

Silêncio

O Paraná colocou toda a carta da sua base financeira para 2019 na cessão dos direitos do meia Jhonny Lucas. Seu presidente e o dirigente Marcão viajaram a Portugal e não deram mais notícias. A janela de inverno fechou e o jogador ficou por aqui.

O fato precisa ser esclarecido. O Braga condicionou a aquisição de Jhonny Lucas a um negócio futuro. Tudo muito estranho. Inclusive, o silêncio da imprensa.

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