Sempre fui mais sensível à dúvida do que à ilusão. É que na dúvida há sempre um fato real: não o vemos, não sabemos o que é, mas existe. Na dúvida, o impacto da decepção é menor.

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É com a dúvida que o atleticano anda vivendo.

Há bem pouco perguntava: o que será do Furacão neste Brasileiro com Natanel, Eduardo, Kadu, Hernani, Coutinho, Bady, Paulinho Dias? E sobraram motivos, pois, um pouco antes, fizeram-no se humilhar no Estadual jogando contra o rebaixamento.

Agora, só com Walter como exceção, com o mesmo time como base na liderança está perguntando: para onde vai o Furacão? Essa deliciosa dúvida tem as suas razões: o Atlético é lider, e não é de graça.

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Não se ganham por acaso 12 pontos em 15 disputados. Pode até existir um elemento escondido, que se confunda com a sorte. Mas as virtudes maiores do Furacão são concretas: a partir do tratamento paternal que o técnico Milton Mendes deu aos jogadores, atendendo a sugestão dos líderes para escalar Otávio e Hernani no meio campo, e todos ganhando consciência dos limites de cada um, o Atlético passou a ter um time pelo todo e não em partes.

Egoísta como qualquer torcedor, o atleticano deve estar perguntando: onde o Furacão poderá chegar? Respondo: no futebol brasileiro não há mais como fazer dar o mínimo de certeza no futuro. As diferenças desaparecem pela falta de craques, impondo-se um equilibrio que torna qualquer futuro imprevisível.

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Vejam só o caso desses meninos Otávio e Hernani. Até um dia desses estavam quase descartados. Otávio, com um senso soberbo de colocação arrumou a marcação e a cobertura dos lados, e Hernani com a visão para encontrar espaços desocupados para ganhar a bola, faz o time jogar.

Mas para sustentar uma campanha como essa é preciso bem mais do que uma deliciosa dúvida por esse inicio. É preciso ter um pouco de certeza. E, aí, deveria transigir Petraglia autorizando a vinda de dois ou três reforços de qualidade. Em longo prazo como é esse campeonato, não há sustentação tendo Ytalo, Paulinho Dias e Bady na reposição.

Aviso aos navegantes

Não sou engenheiro de obra pronta, como Petraglia gosta de se referir aos jornalistas. As vitórias do Atlético dentro de campo não mudam a minha opinião: uma CPI do futebol, uma investigação séria sobre cartolas não pode deixar de responder a pergunta: como é que Petraglia geriu 400 milhões, não terminou a Baixada e deixou todo o patrimônio do Atlético hipotecado? Vou insistir, vou
cobrar.