Não sei qual é o futuro do dirigente Mário Celso Petraglia. No entanto sei, e qualquer um que seja justo com a história também sabe, que sobrevirá o seu passado. No futebol os fatos extraordinários são extraordinários por serem inesperados. Mário Celso foi um deles, pois quando nada mais restava para o Atlético, eis que ele surge e provoca uma revolução.

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Desafiador, indomável, futurista atraiu coragem e sensibilizou o Atlético a tomar outro rumo. Amigos ou inimigos, rivais ou não, todos indistintamente tiveram sentimentos, valores e condutas alterados com a revolução que Mario Celso comandou no Atlético.

Mas Mário Celso definitivamente não é mais o mesmo. Não sei se está cansado, desiludido, decepcionado. Só sei que o estado de espírito que revelou na entrevista da Rádio Clube foi de alguém amargurado e de mal com a vida. Criticou a torcida, porque não antecipa receitas com a compra de pacotes; criticou a imprensa por entender que não deve mais satisfação; criticou todos os atleticanos ao confessar que só não vai embora agora, porque é o único capaz de terminar a Arena; confortou-se com a escapada inevitável de Dagoberto, ao dizer que ?outros Dagobertos virão?, e surpreendeu ao declarar que o Atlético não adquire grandes jogadores porque não tem dinheiro.

O que estaria acontecendo com Mário Celso? O estado de espírito exposto, mesmo que seja de amargura, seria sincero, ou estaria se provocando a torcida para um novo casuísmo como o ?Fica Petraglia??

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Foi injusta a crítica à torcida, porque se ela não antecipa receitas, garante uma média extraordinária durante a temporada. E, esse ano foi provado, que a garantia é dada independente de resultados.

Foi injusto com os atleticanos, quando afirma que ?se sair do comando do Atlético a Baixada não será concluída?. Injusto porque quando faltavam três meses para a inauguração da Arena, e havia muito a construir, foi ao Boqueirão, jogou a chave da obra para Enio Fornéa Júnior e Ademir Adur e disse: ?Terminem se puderem.? E a primeira parte da Arena foi terminada no prazo, sem alterar nada do projeto. Sem Mário Celso, o Atlético não teria a Arena que tem hoje; mas só com ele, também não a teria.

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Não foi bem explicado talvez porque não foi questionada, a declaração de que ?o Atlético não contrata grandes jogadores porque não tem dinheiro?. Há um mês, foi publicado o balanço do Atlético, com um lucro líquido de 25 milhões de reais para dezembro de 2005. Quem conhece os princípios básicos para interpretar números de balanço, bem sabe que não se trata de um lucro em dinheiro, mas em razão de variação patrimonial. Mas em futebol as coisas têm que ser explicadas, para não ser mal interpretadas: como um clube que apresenta um lucro de 25 milhões de reais, declara que não tem dinheiro para contratar? Petraglia deve voltar ao silêncio. Será melhor para todos.